Sem comando: Hezbollah enfrenta crise de liderança após ataques de Israel

A ausência de um líder tem sido a situação desde que um ataque israelense em setembro resultou na morte de Hassan Nasrallah, chefe do partido xiita, em Beirute

O Hezbollah continua sem um novo líder, quase duas semanas após a morte de seu longevo chefe em um ataque israelense, e seu vice-líder parece hesitar em assumir a posição. Essa é a situação desde que que um ataque israelense em 27 de setembro resultou na morte do líder do partido xiita, Hassan Nasrallah, nos subúrbios ao sul de Beirute. As informações são da Newsweek.

O vice-líder do grupo, Sheikh Naim Qassem, atualmente visto como a principal autoridade da organização, afirmou em um discurso em vídeo transmitido na terça-feira pelo canal de notícias iraniano Press TV que um novo líder seria escolhido, indicando que ele não pretende assumir a liderança.

Pouco após a morte de Nasrallah, Qassem declarou em um discurso que o Hezbollah escolheria um novo líder o mais rápido possível, conforme relatado em um artigo publicado pela agência de notícias iraniana IRNA no final de setembro.

Naim Qassem, chefe interino do Hezbollah (Foto: WikiCommons)

Depois de quase um ano de confrontos ao longo da fronteira, Israel intensificou sua ofensiva em 23 de setembro, resultando na morte de mais de 1,1 mil pessoas e no deslocamento de mais de um milhão, segundo dados oficiais. Beirute afirma que está agindo em apoio ao Hamas.

No final de setembro, Israel iniciou uma incursão terrestre “limitada” no sul do Líbano, acompanhada de ataques aéreos direcionados contra infraestrutura e líderes do Hezbollah. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as forças israelenses eliminaram milhares de terroristas, incluindo Nasrallah, bem como seus substitutos.

A menção de Netanyahu parece ter se referido a Hashem Safieddine, primo de Nasrallah e um membro sênior do Hezbollah, considerado um possível sucessor. No entanto, não está claro a quem o primeiro-ministro do Estado judeu se referia em sua última declaração. Ele ainda afirmou ainda que o Hezbollah “está mais fraco do que esteve por muitos e muitos anos”.

O Hezbollah tem muitos ramos e comandantes em diferentes níveis, e Israel afirmou ter matado muitos deles. No entanto, Sarit Zehavi, ex-oficial de inteligência e tenente-coronel aposentado do exército israelense, que atualmente dirige o Alma Center, uma organização de pesquisa focada na fronteira norte de Israel, disse que “nenhum deles é comparável a esses cinco líderes principais”: além de Nasrallah e Safieddine, Ali Karaki, chefe da frente sul Ibrahim Aqeel, chefe da diretoria de operações militares, e Fu’ad Shakar, comandante estratégico do grupo. Todos, com exceção de Safieddine, desaparecido desde que Israel atacou os subúrbios ao sul de Beirute na semana passada, teriam sido mortos.

Mohammed Albasha, analista de segurança do Oriente Médio nos EUA, afirmou ao Business Insider que a busca do Hezbollah por um novo líder pode resultar em uma “luta temporária pelo poder” e uma fragmentação interna, enfraquecendo inicialmente sua influência no Líbano. Ele observou que isso poderia desestabilizar o grupo e mudar suas estratégias, mas acrescentou que essa situação seria temporária e que o conflito provavelmente se intensificaria.

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