Tensão no Iêmen cresce com avanço de separatistas e alerta de ataques sauditas

Conselho de Transição do Sul amplia controle territorial no leste do país, enquanto Arábia Saudita concentra tropas na fronteira e ONU alerta para risco de escalada regional

A tensão no conflito no Iêmen voltou a aumentar após o avanço do Conselho de Transição do Sul (STC, da sigla em inglês), grupo separatista apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, sobre áreas estratégicas no leste do país. Cerca de 20 mil soldados apoiados pela Arábia Saudita estão sendo concentrados na fronteira iemenita, enquanto crescem as pressões para que os separatistas recuem. As informações são do The Guardian.

O STC conquistou, nas últimas semanas, territórios na província de Hadramaut, região que concentra as maiores reservas de petróleo do país e portos estratégicos no Mar Arábico. O grupo utiliza o avanço militar para reforçar sua defesa da divisão do Iêmen em dois Estados, norte e sul, configuração que existiu até 1990.

Forças do Conselho de Transição do Sul avançam na província de Abyan, em agosto de 2022 (Foto: WikiCommons)

Fontes diplomáticas alertaram o Conselho de Transição do Sul sobre a possibilidade de ataques aéreos diretos por parte da Arábia Saudita. Tropas ligadas ao chamado Escudo Nacional, milícia financiada por Riad, estão posicionadas em áreas próximas à fronteira, o que aumenta o risco de confrontos indiretos entre forças sauditas e emiradenses em território iemenita.

A Organização das Nações Unidas acompanha o cenário com preocupação. O secretário-geral António Guterres afirmou que uma retomada ampla dos combates no Iêmen pode gerar impactos diretos no Mar Vermelho, no Golfo de Áden e no Chifre da África, regiões estratégicas para o comércio internacional. Segundo a ONU, quase 5 milhões de pessoas já foram deslocadas pela guerra civil que se arrasta há anos.

Enquanto a Arábia Saudita e aliados defendem a preservação da integridade territorial do país, o STC sustenta que um sul independente poderia funcionar como barreira contra o extremismo e proteger rotas marítimas ameaçadas por houthis e grupos jihadistas. Analistas, no entanto, alertam que nem todos os grupos do sul apoiam a secessão, o que dificulta a formação de um governo coeso.

Especialistas em política do Oriente Médio avaliam que a situação representa um desgaste para Riad, já que os avanços separatistas ocorrem próximos às suas fronteiras. O receio é que o enfraquecimento das instituições centrais beneficie diretamente os houthis, que controlam o norte do país.

Com a ampliação do controle territorial do Conselho de Transição do Sul, o conflito no Iêmen entra em uma nova fase, marcada por disputas entre antigos aliados e pelo risco de internacionalização ainda maior da guerra.

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