O Irã elevou o nível de prontidão de suas Forças Armadas ao estado de alerta máximo em meio à escalada das tensões com os Estados Unidos e Israel e ao avanço de protestos antigovernamentais em diversas regiões do país. Segundo a mídia estatal iraniana, centenas de unidades da Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) e do Exército regular estão mobilizadas para responder a possíveis ações externas. As informações são da Newsweek.
A medida ocorre em um contexto de forte instabilidade interna, marcada por uma recessão econômica profunda, desvalorização acelerada do rial e aumento expressivo do custo de vida. Manifestações contra o governo já entram na segunda semana consecutiva e se espalharam por dezenas de cidades, de acordo com organizações de direitos humanos.

Autoridades iranianas afirmam que o estado de alerta faz parte de uma estratégia de dissuasão. O brigadeiro-general Morteza Ghorbani, assessor do comando da Guarda Revolucionária, declarou que cerca de 400 unidades estão prontas para reagir a qualquer agressão e que as forças de segurança permanecem em prontidão total. Já o contra-almirante Habibollah Sayyari, do Estado-Maior Conjunto, destacou que o país mantém elevado nível de capacidade operacional, apoiado por treinamentos e equipamentos modernos.
No cenário internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez advertências públicas ao governo iraniano, afirmando que o país poderá sofrer consequências severas caso a repressão aos protestos resulte em mais mortes. Washington também manifestou apoio às declarações do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que voltou a ameaçar ataques contra os programas nuclear e de mísseis do Irã.
As tensões se intensificaram após o conflito de junho envolvendo Israel e os EUA, que levou à paralisação das negociações nucleares e ao endurecimento das sanções contra Teerã. Desde então, autoridades ocidentais alertam para uma possível retomada da produção de mísseis de longo alcance pelo Irã, o que poderia desencadear novos confrontos militares.
Enquanto isso, os protestos seguem crescendo. Relatos indicam uso de gás lacrimogêneo, prisões em massa e confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Mais de 20 pessoas morreram e centenas foram detidas, segundo grupos independentes. O líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, acusou os manifestantes de tentar desestabilizar o país e afirmou que as forças do Estado estão preparadas para conter a agitação.
Analistas avaliam que, apesar da pressão interna e externa, uma mudança de liderança no Irã permanece improvável no curto prazo, devido à estrutura política e militar que sustenta o regime. Ainda assim, relatos sobre um possível plano de fuga de emergência de Khamenei para a Rússia reforçam o clima de incerteza que domina o país.