Humanos e agentes de IA: a revolução silenciosa da cibersegurança na Ásia-Pacífico já começou

Modelo que integra humanos, agentes de IA e estruturas de confiança transforma a estratégia de cibersegurança das empresas na região Ásia-Pacífico, aponta relatório da IDC

As empresas da região Ásia-Pacífico estão mudando de forma profunda a maneira como tratam a cibersegurança. Essa transformação é impulsionada pela combinação entre decisões humanas, agentes autônomos de inteligência artificial (IA) e sistemas digitais que incorporam mecanismos de confiança. Esse modelo, chamado pela IDC de Trindade Cibernética, está alterando as prioridades estratégicas e os investimentos em segurança digital. As informações são da International Data Corporation (IDC), empresa global de inteligência de mercado.

Segundo o relatório IDC FutureScape: Previsões Mundiais de Segurança e Confiança para 2026 – Ásia-Pacífico (exceto Japão), a rápida adoção da IA está fazendo com que a segurança deixe de ser apenas uma resposta a incidentes e passe a ser planejada desde o início dos sistemas. Nesse contexto, a confiança se torna um fator mensurável e essencial, diretamente ligada à capacidade das empresas de resistir a crises, cumprir normas regulatórias e se manter competitivas no longo prazo.

(Foto: Unsplash/Divulgação)
Crescimento do investimento em cibersegurança na Ásia-Pacífico

A IDC projeta que os gastos com segurança na região APeJ alcançarão US$ 39,5 bilhões em 2026, com crescimento anual composto de 10%, chegando a US$ 52,4 bilhões em 2029. O avanço reflete não apenas o aumento das ameaças digitais, mas também a necessidade de lidar com ambientes regulatórios fragmentados e adversários que já utilizam inteligência artificial para escalar ataques.

Com modelos tradicionais de segurança cada vez mais insuficientes, organizações são forçadas a repensar como constroem e validam confiança em ecossistemas digitais complexos.

Cinco tendências que moldam a segurança cibernética até 2026
1- Operações de segurança orientadas por IA

Centros de Operações de Segurança estão se tornando ambientes híbridos, onde agentes de IA assumem tarefas como triagem de alertas, redução de falsos positivos e resposta automatizada a incidentes. Segundo a IDC, 39% das empresas da região planejam adotar IA ou GenAI para detecção e análise de ameaças nos próximos 12 meses.

2- Governança de IA e soberania de dados

Governos da Ásia-Pacífico intensificam regras sobre uso de dados e inteligência artificial. Apenas 7% das empresas estão altamente preparadas em governança, risco e conformidade, o que acelera a busca por arquiteturas de IA soberanas, com privacidade e compliance integrados desde o início.

3- Identidade sintética e erosão da confiança digital

Ataques que utilizam identidades sintéticas, criadas com apoio de IA, comprometem sistemas de autenticação em bancos, e-commerces e plataformas governamentais. Dados da IDC indicam que 49% das empresas da região já pagaram resgates relacionados a ransomware, ampliando a pressão por soluções avançadas de proteção de identidade.

4- Risco quântico e criptoagilidade

Com o avanço da computação quântica, cresce a preocupação com a longevidade dos sistemas criptográficos atuais. A IDC estima que até 2028, 20% das maiores empresas asiáticas contratarão avaliações de risco quântico, enquanto conselhos de administração passam a exigir métricas financeiras claras sobre risco cibernético.

5- Resposta dinâmica e segurança no endpoint

Playbooks estáticos estão sendo substituídos por respostas dinâmicas geradas por IA. Cerca de 30% das empresas priorizarão soluções de MDR em endpoints, ativos e aplicações, impulsionadas também pelo aumento de deepfakes e ataques baseados em engenharia social assistida por IA.

Impacto estratégico para líderes empresariais

A Trindade Cibernética sinaliza que segurança e confiança deixaram de ser apenas funções técnicas. Elas se tornam pilares estratégicos para inovação e crescimento sustentável. Organizações que se destacarem serão aquelas capazes de integrar supervisão humana, automação inteligente e governança robusta, antecipando mudanças regulatórias e tecnológicas em vez de reagir a crises.

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