Os venezuelanos começam a testar os limites das novas liberdades na Venezuela após sinais de flexibilização por parte do governo, ainda controlado por aliados de Nicolás Maduro. A libertação de presos políticos e o avanço de uma ampla lei de anistia reacenderam protestos estudantis, mobilizações sindicais e vigílias de familiares de detidos. As informações são da NPR.
Na Universidade Central da Venezuela, estudantes organizaram um protesto exigindo a libertação dos presos políticos que permanecem no país. A manifestação, que há poucas semanas poderia resultar em prisões imediatas, ocorreu sob vigilância policial, mas sem repressão direta, um indicativo das mudanças em curso.

A proposta de lei de anistia, que deve ser sancionada nos próximos dias, pode beneficiar centenas de pessoas acusadas durante o período mais duro de repressão. O texto é apresentado pelo governo como um passo rumo à reconciliação nacional, em meio à pressão internacional por reformas políticas.
Mesmo com a abertura parcial, o ambiente ainda é considerado instável. Episódios recentes, como a nova detenção do líder opositor Juan Pablo Guanipa horas após sua libertação, reforçam a percepção de que a transição permanece frágil. Ele acabou colocado em prisão domiciliar.
Além dos estudantes, servidores públicos também voltaram às ruas. Professores e enfermeiros protestaram diante do Supremo Tribunal exigindo reajustes salariais após três anos sem aumento. Paralelamente, familiares de presos políticos realizam vigílias em frente ao centro de detenção de El Helicoide, em Caracas, pedindo a libertação de seus parentes.
Especialistas afirmam que a libertação de detidos e a aprovação da lei de anistia representam apenas o primeiro passo. A censura à imprensa e o bloqueio de sites de notícias ainda são apontados como obstáculos para uma efetiva democratização.
Embora a Venezuela esteja longe de uma transição democrática plena, o momento é visto por setores da oposição como uma oportunidade para ampliar o debate público e pressionar por reformas estruturais no Judiciário e no sistema político.