Vídeo no TikTok mostra peça de míssil nuclear chinês no deserto — o que estava fazendo ali?

Imagens indicam que civis encontraram parte frontal de um Dong Feng-31 na Mongólia Interior. Analistas apontam possível variante DF-31A, capaz de alcançar os EUA

Um vídeo publicado na plataforma chinesa Douyin, versão local do TikTok, mostra o que seria a seção frontal de um míssil balístico intercontinental Dong Feng-31 (DF-31), com capacidade nuclear, abandonada em uma área desértica no norte da China. As imagens rapidamente repercutiram nas redes sociais e chamaram a atenção de analistas militares. As informações são da Newsweek.

Segundo a publicação, a estrutura teria sido encontrada no Deserto de Badain Jaran, na Região Autônoma da Mongólia Interior. No vídeo, um grupo de civis se aproxima do objeto, parcialmente enterrado nas dunas, e uma pessoa chega a entrar na estrutura cônica.

Dong Feng-31 (Foto: WikiCommons)
O que é o DF-31

O Dong Feng-31 (DF-31) é um míssil balístico intercontinental (ICBM) de três estágios, movido a combustível sólido, integrante da tríade nuclear chinesa. A versão original entrou em serviço por volta de 2006 e possui alcance estimado entre 4.300 e 7.300 milhas.

O sistema foi exibido publicamente em desfiles militares na Praça Tiananmen, em Beijing, mas imagens detalhadas de partes do equipamento em campo são raras.

Possível variante DF-31A

Decker Eveleth, analista de pesquisa associado do Programa de Combate a Ameaças e Desafios do Centro de Análises Navais, afirmou na rede X que o objeto visto no vídeo parece ser a carenagem de um DF-31A, variante mais avançada do modelo.

O DF-31A teria alcance de cerca de 8.200 milhas, o que colocaria grande parte do território continental dos Estados Unidos ao seu alcance. A carenagem é a cobertura protetora localizada na parte frontal do foguete, responsável por proteger a ogiva e os sistemas de bordo durante o lançamento, antes de se desprender em voo.

O míssil pode ser equipado com uma única ogiva ou com MIRVs (veículos de reentrada múltiplos e independentemente direcionáveis) e pode ser lançado a partir de plataformas móveis ou silos fixos.

Expansão do arsenal chinês

De acordo com estimativas do Pentágono, a China já possui mais de 600 ogivas nucleares e vem ampliando sua capacidade de lançamento. O governo chinês afirma manter uma política de não primeiro uso e sustenta que seu arsenal tem finalidade defensiva, além de ser significativamente menor que o dos Estados Unidos e da Rússia.

Em relatório recente sobre o poderio militar chinês, o Departamento de Defesa dos EUA indicou que a Força de Foguetes do Exército de Libertação Popular pode ter mais de 100 mísseis da série DF-31 distribuídos em complexos de silos nas regiões de Hami, Yulin e Yumen, no norte e noroeste da China.

Até o momento, o vídeo no TikTok não foi removido. Ainda não há confirmação oficial sobre a autenticidade das imagens ou sobre a origem exata do objeto encontrado.

A China mantém controle rigoroso sobre informações relacionadas às suas forças armadas na internet, e conteúdos envolvendo equipamentos militares costumam ser monitorados de perto. O caso reacende discussões sobre transparência, segurança e o ritmo de modernização do arsenal nuclear chinês.

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