China avança sobre os EUA em comércio, energia e tecnologia; veja o que mudou

Encontro entre Donald Trump e Xi Jinping reacende disputa entre as duas maiores potências do planeta. Veja os números que explicam a rivalidade entre Washington e Beijing

Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping voltam ao centro da geopolítica mundial nesta semana. Os dois líderes se encontram em Beijing, nos dias 14 e 15 de maio, em uma reunião que promete recolocar frente a frente as duas maiores potências econômicas e militares do planeta. As informações são da Al Jazeera.

O encontro acontece em meio à escalada das tensões comerciais, à disputa tecnológica envolvendo inteligência artificial (IA) e semicondutores e ao avanço da influência chinesa em setores estratégicos, como energia verde e minerais de terras raras.

Nas últimas duas décadas, a China deixou de ser apenas uma potência emergente para desafiar diretamente a liderança global dos Estados Unidos em praticamente todos os indicadores econômicos e industriais.

Imagem gerada por IA
China ultrapassa EUA no comércio global

Atualmente, a China é a maior exportadora do mundo. Em 2024, o país asiático vendeu US$ 3,59 trilhões em mercadorias, enquanto os Estados Unidos exportaram US$ 1,9 trilhão.

A diferença também aparece na influência comercial global: 145 economias mantêm hoje mais relações comerciais com a China do que com os EUA.

As exportações chinesas são lideradas por máquinas, equipamentos elétricos, celulares e computadores. Já os americanos mantêm força nos setores químico, energético e tecnológico.

Guerra tarifária continua impactando economia global

Apesar da forte interdependência econômica, EUA e China seguem travando uma intensa guerra comercial.

Os Estados Unidos aplicam tarifas médias de 31,6% sobre produtos chineses, enquanto Beijing respondeu com sobretaxas sobre energia, produtos agrícolas e carne bovina americana.

Mesmo assim, o intercâmbio comercial entre os dois países ainda supera US$ 500 bilhões anuais.

China lidera energia verde e carros elétricos

A China também assumiu protagonismo global na transição energética. Em 2024, os chineses investiram US$ 290 bilhões em energia verde, quase três vezes mais que os Estados Unidos, que investiram US$ 97 bilhões.

O domínio chinês também aparece no setor automotivo: quase metade dos carros novos vendidos no país já são elétricos, impulsionados por subsídios bilionários do governo.

Os EUA, por outro lado, ainda lideram em inteligência artificial e semicondutores.

Empresas americanas dominam IA global

Os Estados Unidos seguem na dianteira em inteligência artificial graças a empresas como OpenAI, Google, Meta e NVIDIA.

Ferramentas como ChatGPT, Gemini e Llama colocaram os EUA na liderança do desenvolvimento de modelos avançados de IA.

Ainda assim, a China acelera investimentos e tenta reduzir a dependência tecnológica ocidental.

Disputa militar segue intensa

Os EUA continuam sendo a maior potência militar do planeta, com gastos de US$ 954 bilhões em defesa em 2025, quase três vezes mais que a China.

Washington mantém superioridade aérea e naval, especialmente em submarinos e porta-aviões.

A China, porém, vem ampliando rapidamente sua frota marítima e fortalecendo sua presença militar no Indo-Pacífico.

Terras raras ampliam pressão sobre Washington

Outro ponto estratégico da disputa envolve os minerais de terras raras, fundamentais para baterias, semicondutores, equipamentos militares e veículos elétricos.

A China controla mais da metade das reservas mundiais e domina o processamento global desses materiais, aumentando sua influência sobre cadeias produtivas essenciais.

Os EUA possuem reservas muito menores e seguem altamente dependentes da importação chinesa.

Encontro pode redefinir relações globais

A reunião entre Trump e Xi Jinping ocorre em um momento decisivo para a economia mundial.

Além das disputas tarifárias, os dois países competem diretamente por influência tecnológica, energética, militar e diplomática.

Especialistas apontam que o resultado das negociações poderá impactar mercados globais, cadeias de produção e até o equilíbrio geopolítico nas próximas décadas.

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