Guerra da Ucrânia tem reviravolta? Analistas apontam enfraquecimento da vantagem russa

Ataques à logística, avanços táticos e dificuldades de abastecimento colocam novos desafios para Moscou, enquanto especialistas avaliam possível mudança no equilíbrio da guerra

A guerra entre Rússia e Ucrânia pode estar entrando em uma nova fase. Após mais de quatro anos de conflito, especialistas apontam que Kiev vem acumulando avanços táticos e ampliando sua capacidade de atingir alvos estratégicos muito além da linha de frente, reduzindo gradualmente algumas das vantagens que Moscou mantinha desde o início da invasão. As informações são do The Moscow Times.

Embora as forças russas continuem avançando lentamente na região de Donetsk, principal foco da ofensiva do Kremlin, analistas observam uma desaceleração significativa no ritmo das conquistas territoriais. Dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW, da sigla em inglês) indicam que a Rússia conquistou 104 quilômetros quadrados de território ucraniano entre janeiro e maio de 2026, uma queda expressiva em comparação com os 1.619 quilômetros quadrados capturados no mesmo período do ano passado.

Destruição controlada de uma ogiva de 500 kg de um míssil Kinzhal na região de Zhytomyr, Ucrânia, em março de 2026 (Foto: WikiCommons)

Segundo o projeto de monitoramento DeepState, ligado à inteligência de fontes abertas da Ucrânia, as tropas russas chegaram a perder aproximadamente 40 quilômetros quadrados em áreas das regiões de Donetsk, Zaporizhzhia e Dnipropetrovsk na última semana, registrando a maior perda territorial semanal desde o fim de 2023.

Drones mudam dinâmica do conflito

Um dos fatores que explicam a mudança no cenário é a crescente capacidade da Ucrânia de utilizar drones para atingir infraestrutura militar e logística russa. Especialistas afirmam que Kiev conseguiu reduzir a vantagem que Moscou possuía nesse tipo de armamento, tornando mais difícil o avanço das tropas russas.

Além de operações próximas à linha de frente, os drones ucranianos vêm alcançando alvos estratégicos em áreas mais profundas do território controlado pela Rússia. Entre os alvos atingidos estão refinarias, depósitos de combustível e importantes rotas de abastecimento utilizadas pelo Exército russo.

De acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, a Ucrânia realizou em maio um número recorde de ataques contra instalações petrolíferas russas, atingindo o terminal de Novorossiysk e diversas refinarias consideradas essenciais para o abastecimento do país.

Logística russa enfrenta novos desafios

Blogueiros militares russos e canais pró-guerra no Telegram também relataram dificuldades crescentes na logística das forças de Moscou. Entre os problemas apontados estão atrasos no transporte de combustível, dificuldades na rotação de tropas e obstáculos para o envio de munições às unidades na linha de frente.

Analistas afirmam que os ataques frequentes vêm enfraquecendo a percepção de segurança nas áreas de retaguarda, ampliando a pressão sobre as estruturas militares russas.

Apesar disso, especialistas alertam que ainda é cedo para concluir que a Ucrânia tenha conquistado uma vantagem decisiva. O pesquisador Ruslan Leviev, do Conflict Intelligence Team, afirma que os impactos logísticos ainda não interromperam completamente as rotas de abastecimento russas.

Falta de soldados continua desafio para ambos os lados

Outro fator que influencia o conflito é a dificuldade de reposição de efetivos militares. Estimativas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) apontam que a Rússia acumulou cerca de 1,2 milhão de mortos e feridos desde o início da guerra.

Para evitar uma nova mobilização em larga escala, considerada impopular internamente, Moscou tem ampliado incentivos financeiros para atrair voluntários e estrangeiros para suas Forças Armadas.

Do lado ucraniano, o governo reconheceu em fevereiro a morte de 55 mil militares, embora levantamentos independentes indiquem números superiores.

Grande contraofensiva ainda parece distante

Apesar dos avanços recentes, especialistas avaliam que a Ucrânia não possui atualmente os recursos necessários para uma ofensiva de grande escala capaz de recuperar todos os territórios ocupados pela Rússia.

O objetivo imediato de Kiev continua sendo conter os avanços russos e aumentar os custos da guerra para Moscou por meio de ataques de precisão, especialmente contra infraestrutura militar e logística.

Para analistas militares, o verdadeiro impacto dessa estratégia poderá ser observado nos próximos meses. Caso a pressão ucraniana continue crescendo e a Rússia não consiga se adaptar às novas ameaças, Moscou poderá enfrentar decisões difíceis entre ampliar a mobilização militar ou buscar uma solução diplomática para encerrar o conflito.

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