Japão busca ajuda dos EUA e da Alemanha para montar nova agência de espionagem

Sanae Takaichi quer centralizar a coleta de informações pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial e reforçar a segurança diante das ameaças da China, Rússia e Coreia do Norte

A criação de uma agência central de inteligência marca uma das maiores mudanças na estrutura de segurança do Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi está conduzindo um amplo processo de reforma para centralizar a coleta e a análise de informações estratégicas, reduzindo a fragmentação que historicamente caracterizou os órgãos de inteligência japoneses. As informações são do Japan Times.

Nos últimos meses, autoridades japonesas buscaram aconselhamento de aliados como Estados Unidos, Austrália e Alemanha para estruturar a nova agência. As discussões envolveram temas como defesa cibernética, combate à espionagem industrial, compartilhamento de informações e organização institucional. O objetivo é criar um sistema mais eficiente para enfrentar ameaças externas e proteger tecnologias consideradas estratégicas.

Sanae Takaichi chega para a Cúpula do G20 África do Sul 2025 (Foto: WikiCommons)

A iniciativa ocorre em um momento de crescente preocupação com a atuação de China, Rússia e Coreia do Norte na região do Indo-Pacífico. Autoridades japonesas também demonstram preocupação com campanhas de desinformação, ataques cibernéticos e operações de influência estrangeira que possam afetar decisões políticas e econômicas do país.

O projeto faz parte da agenda de segurança defendida por Sanae Takaichi, líder conservadora que tem promovido mudanças significativas na política de defesa japonesa. Seu governo já flexibilizou restrições relacionadas à exportação de armamentos e ampliou investimentos militares, em um movimento que busca fortalecer a capacidade de resposta do país diante de um ambiente internacional mais instável.

Segundo informações divulgadas pelo The New York Times, agentes de inteligência norte-americanos compartilharam experiências sobre proteção cibernética e métodos de combate à espionagem. A Alemanha também participou das conversas por meio de representantes de seu serviço de inteligência externa, enquanto a Austrália ofereceu orientações sobre integração entre diferentes órgãos governamentais.

O novo órgão deverá operar com orçamento equivalente a aproximadamente US$ 407 milhões e reunir especialistas em tecnologia, segurança cibernética, relações internacionais e análise de inteligência. A expectativa é que a agência esteja plenamente operacional até o final do ano e atue como núcleo coordenador das atividades de inteligência realizadas por milhares de servidores distribuídos entre a polícia, o Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores.

Apesar do apoio recebido dentro do governo, a proposta enfrenta resistência de setores da oposição e de grupos ligados às tradições pacifistas japonesas. Críticos afirmam que a centralização da inteligência pode ampliar mecanismos de vigilância estatal e reduzir garantias relacionadas à privacidade individual.

Os defensores da reforma argumentam que o Japão precisa modernizar sua estrutura de inteligência para acompanhar os desafios contemporâneos. Analistas avaliam que o sucesso do projeto dependerá da capacidade do governo de integrar diferentes órgãos burocráticos e incorporar ferramentas como inteligência artificial aos processos de coleta e análise de informações estratégicas.

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