A pequena ilha grega de Kalamos tem apenas 80 moradores permanentes e dois alunos na escola primária. Quando eles forem para o ensino médio no continente, no próximo ano, a única escola em funcionamento na ilha deverá fechar. O caso é um retrato extremo de um problema que avança por áreas rurais e insulares da Europa: o envelhecimento da população e a queda no número de nascimentos. As informações são da Associated Press.
A Grécia fechou 75 escolas neste ano devido à baixa matrícula e suspendeu ou prorrogou a suspensão das aulas em mais de 400 outras. Em Kalamos, havia 40 crianças nas escolas e creches públicas uma década atrás. Hoje, sete adolescentes ainda vivem na ilha, mas precisam atravessar diariamente o Mar Jônico para estudar no continente. Em dias de vento forte, a viagem pode ser interrompida.

O fechamento das escolas pode aprofundar o próprio processo que o provoca. Segundo o demógrafo Byron Kotzamanis, do Instituto de Pesquisa Demográfica de Atenas, a saída de jovens reduz ainda mais o número de famílias e nascimentos, criando um ciclo de despovoamento e desaparecimento de serviços públicos.
A tendência não se limita à Grécia. A União Europeia (UE) registrou 3,55 milhões de nascimentos em 2024, aproximadamente metade do pico de 1964. A taxa de fertilidade caiu para 1,34 filho por mulher, abaixo dos 2,1 necessários para manter uma população estável. A Grécia está entre os países europeus com as menores taxas.
A população grega, atualmente estimada em 10,5 milhões de pessoas, pode cair para entre 8 milhões e 8,5 milhões até 2050, segundo Aris Alexopoulos, chefe do Centro de Dinâmica Populacional da OCDE em Creta. A redução também altera a composição etária do país, com os jovens se tornando uma parcela cada vez menor da população.
O problema ganha dimensão estratégica nas áreas remotas. Ilhas e comunidades montanhosas são os primeiros lugares onde escolas, transporte e outros serviços públicos deixam de ser economicamente sustentáveis. Com menos moradores em idade ativa, também diminuem a força de trabalho e a capacidade de manter atividades econômicas locais.
A UE começou a formular uma estratégia específica para suas ilhas. Nos últimos cinco anos, o bloco destinou 146 milhões de euros para modernizar escolas em quatro arquipélagos gregos, segundo a Comissão Europeia. A medida busca enfrentar o declínio demográfico e manter serviços públicos capazes de reter moradores.