A chegada “misteriosa” de 153 palestinos em um avião fretado no Aeroporto Internacional OR Tambo, em Joanesburgo, na África do Sul, desencadeou uma investigação oficial do governo sul-africano. O grupo ficou retido dentro da aeronave por 12 horas após ser barrado pela polícia de fronteira por não possuir documentos de viagem, carimbos de saída, passagens de retorno ou informações de hospedagem. As informações são do The Guardian.
Segundo as autoridades, nenhum dos passageiros solicitou asilo, o que levou à recusa inicial de entrada. Um pastor autorizado a entrar no avião relatou que o calor era “insuportável”, com crianças “suando, gritando e chorando”. A organização humanitária Gift of the Givers interveio para oferecer abrigo e apoio emergencial.
Ao final, 130 palestinos receberam autorização de entrada no país com isenção de visto por 90 dias, enquanto outros 23 seguiram viagem para destinos como Canadá, Austrália e Malásia.

O presidente Cyril Ramaphosa afirmou que o governo agiu “por compaixão”, mas enfatizou que a situação precisa ser investigada.
“Essas são pessoas de Gaza que, de alguma forma misteriosa, foram colocadas em um avião que passou por Nairóbi e veio parar aqui. Precisamos entender como tudo começou.”
A embaixada palestina na África do Sul acusa uma “organização não registrada e enganosa” de explorar famílias vulneráveis em Gaza, cobrando por viagens organizadas de forma irregular. A Gift of the Givers confirmou que este foi o segundo avião com palestinos a pousar no país em duas semanas.
O episódio reacende o debate interno sobre a postura sul-africana diante da guerra em Gaza. O país tem adotado uma forte defesa da causa palestina, inclusive processando Israel por genocídio na Corte Internacional de Justiça (CIJ). Ao mesmo tempo, críticos afirmam que a falta de informações sobre os voos e a demora na liberação dos passageiros levantam preocupações de segurança e expõem falhas nos protocolos de fronteira.
O ministro do Interior, Leon Schreiber, reforçou que nenhum viajante pediu asilo e que, uma vez eliminados riscos imediatos, a entrada foi autorizada dentro das regras da isenção de visto.