África

Ex-militar da Nigéria acusa membros do governo de patrocinarem o Boko Haram

Em entrevista à emissora Channels Television, Kunle Olawunmi ainda comparou o país ao que acontece no Afeganistão

Um ex-Comodoro da Marinha da Nigéria, Kunle Olawunmi, disse nesta quarta-feira (25) que financiadores de grupos terroristas ocupam atualmente cargos no gabinete do presidente do país, Muhammadu Buhari. As informações são da agência nigeriana ICIR.

Olawunmi fez a declaração durante participação no programa de televisão Sunrise Daily, após o ataque à Academia de Defesa da Nigéria em Afaka, estado de Kaduna, na terça (24), quando dois militares foram mortos e um outro foi sequestrado.

O ex-oficial afirmou que extremistas presos nos últimos anos mencionaram nomes do atual governo como seus patrocinadores.

Ex-oficial e especialista em segurança Kunle Olawunmi fez acusações graves sobre as autoridades do país (Foto: Channels Television/Reprodução)

“Os rapazes [terroristas] que prendemos mencionaram nomes de pessoas que estão no governo agora. Alguns deles são governadores, alguns deles estão no Senado da Nigéria e alguns deles são ministros. O Departamento de Serviço de Estado [DSS] os conhece”, apontou.

Olawunmi acrescentou que já esteve frente a frente com um deles durante um interrogatório quando serviu a inteligência militar.

“Interroguei um membro de alto escalão deste governo sobre a questão de Boko Haram entre 2007 e 2008 e ele foi considerado culpado”, relatou.

A declaração do ex-oficial fez menção ao procurador geral da Federação Abubakar Malami, que disse recentemente que centenas de financiadores do terrorismo na Nigéria estavam sendo indiciados.

Segundo Olawunmi, os suspeitos foram presos em Kano, Borno, Lagos, Sokoto, Adamawa, Kaduna, Estados de Zamfara e Abuja. Entretanto, não houve nenhuma informação sobre os julgamentos, e os nomes não foram tornados públicos.

Um investigador forense, Alfred Ononugbo, que também falou ao Sunrise Daily, pediu o impeachment de Buhari devido aos incessantes ataques terroristas.

Falando sobre a relutância do governo em processar aqueles considerados culpados de patrocinar o terrorismo contra o país, o comodoro aposentado disse que a causa são “os sentimentos etnoreligiosos compartilhados pela atual administração liderada por Muhammadu Buhari”.

Por que isso importa?

Terroristas do Boko Haram lutam há 11 anos para criar um califado islâmico no nordeste da Nigéria. A luta se espalhou para Camarões, Chade, Níger e Benin, com assassinatos regulares, queima de mesquitas, igrejas, mercados e escolas e ataques a instalações militares.

A ONU (Organização das Nações Unidas) calcula que a violência do Boko Haram matou 30 mil e deslocou cerca de dois milhões de pessoas.