África

Forças de segurança do Sudão mataram ao menos 39 pessoas após o golpe de Estado

Quinze pessoas foram mortas a tiros somente na quarta-feira (17), durante protestos contra o governo militar que assumiu o poder no país africano

Pelo menos 39 pessoas foram mortas pelas forças de segurança no Sudão desde o golpe militar de 25 de outubro, 15 das quais teriam sido mortas a tiros na quarta-feira (17). As informações foram divulgadas nesta quinta (18) pelo Alto Comissariado da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos.

Ao comentar os números, a chefe do Comissariado, Michelle Bachelet, condenou os assassinatos e classificou como “absolutamente vergonhoso” o uso de munição real contra manifestantes. “Atirar contra grandes multidões de manifestantes desarmados, deixando dezenas de mortos e muitos mais feridos, é deplorável, visado claramente a sufocar a expressão de dissidência pública. Representa graves violações dos direitos humanos”, disse ela.

De acordo com fontes médicas, mais de 100 pessoas ficaram feridas durante os protestos na quarta-feira em Cartum, Cartum-Bahri e Omdurman. Dos feridos, 80 sofreram ferimentos a bala na parte superior do corpo e na cabeça. O gás lacrimogêneo também foi muito usado. Já as detenções foram feitas antes, durante e depois das manifestações. A polícia emitiu um comunicado dizendo que 89 policiais também ficaram feridos.

General Abdel Fattah al-Burhane é o atual líder do governo sudanês (Foto: Captura da TV do Sudão/Reprodução Twitter)

Por volta do meio-dia, horário local, os militares impuseram o desligamento total das comunicações telefônicas e móveis em todo o país, além do desligamento contínuo dos serviços de internet, isolando efetivamente o Sudão do mundo. Apenas os links de satélite continuaram a funcionar.

Bachelet explicou que, com o corte das comunicações, as pessoas “não podem chamar ambulâncias para tratar os manifestantes feridos, as famílias não podem verificar a segurança de parentes e os hospitais não conseguem chegar aos médicos porque estão lotados, para citar apenas alguns consequências reais e graves”.

Para a comissária, “as paralisações generalizadas da Internet e das telecomunicações violam os princípios fundamentais de necessidade e proporcionalidade e violam o direito internacional”.

Imprensa silenciada

Desde o golpe militar, jornalistas, especialmente aqueles considerados críticos às autoridades, foram presos arbitrariamente, atacados durante o trabalho e tiveram suas casas e escritórios invadidos pelas forças de segurança. Também houve relatos perturbadores de tentativa de sequestro por agressores armados à paisana.

“Com o desligamento da Internet, o papel dos jornalistas em obter informações essenciais sobre a situação atual é particularmente crucial, mas temo que o ambiente cada vez mais hostil contra eles possa levar à autocensura e ameaçar ainda mais o pluralismo e a independência da mídia”, afirmou o Alto Comissário disse.

Conteúdo adaptado do material publicado originalmente em inglês pela ONU News