A vitória de José Antonio Kast no Chile consolida uma guinada conservadora na América Latina e reforça o avanço da extrema direita no continente. Eleito presidente após o segundo turno, Kast explorou o descontentamento popular com a insegurança, o crime organizado e a frustração econômica, derrotando a candidata comunista Jeannette Jara, da coalizão governista de centro-esquerda. As informações são do Politico.
Veterano da política chilena, Kast é frequentemente comparado a Donald Trump por seu discurso duro contra a imigração, oposição a pautas progressistas e defesa de valores conservadores. Durante a campanha, o presidente eleito expressou nostalgia pela ditadura de Augusto Pinochet, criticou o casamento entre pessoas do mesmo sexo e apoiou propostas para restringir o aborto, posições que não impediram seu crescimento eleitoral.

Especialistas apontam que o resultado reflete um sentimento regional de rejeição aos governos atuais, especialmente os de esquerda, responsabilizados por estagnação econômica, corrupção e aumento da criminalidade. O Chile, que há duas décadas fazia parte da chamada “onda rosa”, agora se soma a países como Argentina, Equador e Bolívia, onde líderes ou projetos de direita avançaram nas urnas.
A eleição chilena também fortalece a influência de Donald Trump na América Latina. O ex-presidente americano elogiou publicamente Kast, enquanto o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou ter discutido com o chileno temas como imigração ilegal e cooperação econômica.
Assim como Javier Milei, na Argentina, e Jair Bolsonaro, no Brasil, Kast circula no ambiente político internacional da direita conservadora, com presença frequente em eventos da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC, da sigla em inglês). No comício da vitória, apoiadores exibiram símbolos ligados ao trumpismo, como bonés vermelhos e bandeiras dos Estados Unidos.
Analistas avaliam que, embora a extrema direita não represente maioria absoluta do eleitorado, seu impacto político tem sido ampliado pela capacidade de mobilizar o descontentamento social. A vitória de Kast no Chile reforça essa tendência e indica que o cenário político latino-americano segue em rápida transformação.