Comandante dinamarquês nega ameaça imediata da Rússia e da China à Groenlândia

Autoridade militar do Ártico afirma que exercícios aliados são preventivos e contesta declarações do presidente dos EUA sobre riscos iminentes à ilha

O comandante máximo das forças da Dinamarca no Ártico afirmou que a Groenlândia não enfrenta, neste momento, uma ameaça imediata à sua segurança por parte da Rússia ou da China. A declaração contraria o discurso reiterado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem apontado a ilha como alvo de pressão estratégica das duas potências. As informações são do Politico.

Em entrevista à rede Axel Springer Global Reporters Network, o major-general Soren Andersen, comandante do Comando Conjunto do Ártico da Dinamarca, declarou que não há indícios atuais de risco iminente. Segundo ele, o aumento da presença militar dinamarquesa e aliada na região tem caráter preventivo e está voltado à preparação para possíveis cenários futuros.

À esquerda, o major-general dinamarquês Soren Andersen e o major-general do Exército Ray Shields, em 2023 (Foto: WikiCommons)

De acordo com Andersen, o fim da guerra na Ucrânia pode levar Moscou a redistribuir seus recursos militares para outras áreas estratégicas, incluindo o Mar Báltico e o Ártico. Essa avaliação motivou a ampliação de exercícios militares na Groenlândia, com a participação de países europeus sob condições extremas de inverno.

As operações fazem parte do que Copenhague define como o fortalecimento do flanco norte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Um dos principais exercícios em andamento é a Operação Arctic Endurance, que envolve ações aéreas, marítimas e terrestres com tropas de diferentes países aliados.

As declarações do comandante dinamarquês contrastam com falas recentes de Donald Trump, que afirmou que a Groenlândia estaria cercada por navios e submarinos russos e chineses. O presidente dos Estados Unidos voltou a defender que a ilha é estratégica para a segurança nacional americana e chegou a dizer que Washington não pode descartar o uso da força para proteger seus interesses.

As falas provocaram reações de preocupação entre autoridades da Dinamarca e da Groenlândia. Questionado sobre o tema, Andersen evitou comentar diretamente as declarações de Trump, destacando a cooperação histórica entre os países da Otan e a presença militar americana já estabelecida na Base Espacial de Pituffik, no território groenlandês.

Mesmo diante das tensões políticas, o comandante afirmou que os Estados Unidos foram oficialmente convidados a participar dos exercícios militares no Ártico. Segundo ele, a cooperação entre aliados é essencial para garantir a segurança da região.

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