O que está por trás da retenção de navios do Panamá pela China

EUA denunciam aumento expressivo de detenções de embarcações com bandeira panamenha em portos chineses e apontam impacto nas cadeias de suprimentos

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, acusou a China de promover “intimidação” ao reter dezenas de navios com bandeira do Panamá em seus portos. A declaração foi feita na quinta-feira (2) e amplia a tensão geopolítica envolvendo uma das rotas comerciais mais estratégicas do mundo. As informações são da ABC News.

Segundo dados da organização regional Tokyo MOU, cerca de 75% dos navios detidos em portos chineses em março – 92 de um total de 124 – operavam sob bandeira panamenha. O número representa um salto significativo em relação a janeiro e fevereiro, quando a proporção ficou entre 30% e 40%.

Terminal de Cristóbal (Foto: WikiCommons)

Rubio afirmou que as ações de Beijing desestabilizam o comércio internacional. “A decisão da China de deter embarcações que realizam comércio lícito aumenta custos, compromete cadeias de suprimentos e mina a confiança global”, declarou. Ele também reforçou o apoio dos EUA ao Panamá diante do que chamou de ações retaliatórias.

A China negou as acusações. O porta-voz da embaixada chinesa em Washington, Liu Pengyu, disse que as críticas fazem parte de uma tentativa dos Estados Unidos de justificar maior influência sobre o Canal do Panamá.

A tensão ocorre após o governo panamenho assumir o controle de dois portos estratégicos – Balboa e Cristóbal – que estavam sob concessão de uma subsidiária da empresa de Hong Kong CK Hutchison. A decisão foi respaldada pela Suprema Corte do país, que considerou o contrato inconstitucional.

O episódio se insere em uma disputa mais ampla entre Washington e Beijing. O presidente dos EUA, Donald Trump, já havia acusado a China de exercer influência indevida sobre o canal e chegou a defender maior controle americano sobre a via.

Apesar do aumento nas detenções, o governo do Panamá tenta reduzir o tom da crise. O ministro das Relações Exteriores, Javier Martínez, afirmou que as inspeções fazem parte de práticas comuns do setor marítimo e não necessariamente refletem um conflito direto.

Especialistas do setor alertam, no entanto, para possíveis impactos econômicos. O Panamá é líder global em registros navais, e restrições à sua bandeira podem afetar diretamente a competitividade do país e sua arrecadação, estimada em cerca de US$ 100 milhões anuais.

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