Após correr risco de deportação, banda russa antiguerra presa na Tailândia é liberada

Membros da Bi-2, conhecidos por suas críticas ao Kremlin e à invasão na Ucrânia, foram detidos após tocarem sem autorização

Uma banda de rock progressivo russo-belarussa com posições antiguerra e autora de versos com críticas a Vladimir Putin, que estava em turnê na Tailândia, foi ameaçada deportação para a Rússia, segundo ativistas de direitos humanos, mas conseguiu se livrar. As informações são da rede BBC.

A Human Rights Watch (HRW) saiu em defesa e pediu ao governo tailandês que não deportasse a Bi-2, alegando que os sete membros enfrentavam “perseguição” do governo russo.

A banda, que tem sete integrantes, foi detida por realizar shows não autorizados na semana passada em Phuket, uma ilha resort bastante popular entre turistas russos. Eles estavam sob custódia em Bangkok e, de acordo com um comunicado postado às 14h desta quarta-feira (31) no Facebook da banda, “todos os músicos deixaram a Tailândia em segurança e estão a caminho de Tel Aviv”, disse a nota, acrescentando que “mais detalhes” seriam dados na quinta-feira (1º).

A ONG acrescentou que o Bi-2 poderia sofrer “perseguição” ao retornar à Rússia, citando um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia que acusou a banda de “patrocinar o terrorismo“.

Bi-2 é famosa não apenas por sua música, mas também por suas posições críticas ao governo russo (Foto: Би-2/B-2/reprodução Facebook)

Autoridades tailandesas chegaram a considerar a possibilidade de deportação. Kriangkrai Ariyaying, superintendente do Departamento de Imigração de Phuket, mencionou que, normalmente, “isso resulta na deportação para o país de origem”, mas que também poderia ocorrer “alguma flexibilidade sobre o destino”.

O Conselho de Segurança Nacional da Tailândia anunciou que está investigando o assunto, revisando detalhes como os nomes e nacionalidades dos membros da banda, conforme informou o ministro das Relações Exteriores Parnpree Bahiddha-Nukara aos repórteres na quarta-feira.

“Back in the U.S.S.R.”

Antes de serem liberados pelas autoridades tailandesas, a página oficial da banda no Facebook divulgou que os integrantes enfrentariam deportação após serem considerados culpados, na última sexta-feira (26), por realizar um show sem a devida autorização, mesmo tendo pago uma multa pela infração.

Pelo canal oficial da banda pelo Telegram, a produção informou que os integrantes estavam detidos em uma prisão de imigração em uma cela superlotada para 80 pessoas.

A Bi-2 tem em sua formação cidadãos russos e de dupla nacionalidade, como Israel e Austrália, portanto podem ser deportados para esses países. A Human Rights Watch alertou que os detidos que possuem apenas cidadania russa enfrentam maior risco.

As autoridades russas não se pronunciaram sobre a situação da banda e não confirmaram se buscaram a deportação dos músicos.

No entanto, a banda já foi alvo de críticas de parlamentares russos devido à sua “postura anti-russa”. Em maio de 2023, o Ministério da Justiça local rotulou o vocalista Egor Bortnik como “agente estrangeiro” por se opor à invasão russa na Ucrânia e por fazer declarações negativas sobre a Rússia, seus cidadãos e autoridades.

A banda estava em turnê fora da Rússia desde 2022, incluindo shows por toda a Europa no ano passado.

Tags: