Ásia e Pacífico

“Seja um parceiro confiável”, diz secretário de Estado dos EUA sobre China

Pompeo se queixou de recusas dos chineses de fornecer dados sobre início da pandemia, vitais para pesquisa

A recusa da China de compartilhar informações sobre o novo coronavírus só gera desconfiança entre nações que deveriam se ajudar durante a pandemia, queixou-se o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, no último dia 6. “Precisamos de parceiros confiáveis”, afirmou.

Beijing tem atrasado os estudos para uma vacina eficiente, diz, ao guardar para si dados importantes como os do chamado “paciente zero”, o primeiro a contrair a doença. O governo chinês também teria se recusado a oferecer referências sobre espécimes clínicos e isolados do vírus, que auxiliam as pesquisas.

“Precisamos que os países compartilhem dados confiáveis em um tempo razoável. Agora, e da próxima vez que uma calamidade dessas surgir”, afirmou Pompeo.

O secretário afirmou que, mesmo após meses de pandemia, a China resiste em fornecer dados para outros países. “Não é que naquele momento não fizeram a coisa certa. Eles continuam sendo pouco transparentes e negando informação que nossos pesquisadores e epidemiologistas precisam”.

"Seja um parceiro confiável", diz secretário de Estado dos EUA sobre China
Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, em reunião do Conselho de Segurança da ONU em 2019 (Foto: UN Photo)

Na versão em inglês do jornal “China Daily“, controlado pelo Partido Comunista Chinês, há uma pequena matéria de 12 de maio, com vídeo. Nela, lê-se que é “extremamente difícil encontrar o paciente zero de uma doença contagiosa”.

Até hoje, diz a nota, não foram encontrados os primeiros contaminados “da pandemia de influenza em 1918, do HIV ou da influenza H1N1 de 2009”.

Relações conflituosas

Nas últimas semanas, houve sanções chinesas à Austrália, que pediu uma investigação independente sobre as origens do vírus.

A mais recente confusão aconteceu entre a China e a União Europeia, segundo a Reuters. Para comemorar o aniversário das relações bilaterais, foi emitida uma nota conjunta, também no último dia 6.

Embaixadores dos países da UE fizeram uma nota, alinhada previamente com os chineses, celebrando os laços entre as nações. O material também seria publicado no “China Daily”, jornal controlado pelo Partido.

No original, constava a informação de que a pandemia havia começado na China. Foi publicada na íntegra na Europa, mas o embaixador da UE em Beijing acabou assentindo com a omissão da frase sobre a origem do vírus na versão do “China Daily”. Foi o suficiente para gerar grave mal estar com os países europeus.

O secretário de Estado dos EUA classificou como “realismo recém-descoberto” as críticas feitas por países ocidentais à China. Para Pompeo, “não há ‘ganha-ganha’ com um regime comunista.”

Veja o vídeo do pronunciamento de Pompeo aqui.

A questão de Taiwan

O chefe da política externa norte-americana chegou a pedir que a comunidade internacional aceite Taiwan em assembleias das Nações Unidas. Isolar Taiwan, “província rebelde” desde 1949 cujo nome oficial é República da China, é ponto de honra para os chineses.

A provocação norte-americana ecoa protestos pelo fato de que, em 31 de dezembro de 2019, o governo de Taiwan já havia registrado casos de transmissão do novo coronavírus entre humanos. Avisou a OMS (Organização Mundial da Saúde) e não teve resposta.

A entidade só reconheceu no dia 22 de janeiro que, de fato, o vírus circulava de pessoa para pessoa.

Nesta quarta (14), o Departamento de Estado condenou as supostas tentativas de roubo de dados norte-americanos relacionados à Covid-19. Os EUA acusam hackers da China de estar por trás das investidas.

Em comunicado, os EUA afirmaram que “o comportamento do Partido Comunista chinês é uma extensão de suas ações contraproducentes em toda a pandemia”.

Para os EUA, a China “continua a silenciar cientistas, jornalistas e cidadãos, e propagar desinformação, o que exacerbou os perigos dessa crise sanitária”.

No mesmo dia, o presidente Donald Trump já havia manifestado que a pandemia prejudicou o andamento de um acordo comercial dos EUA com a China. “Não podiam ter deixado [a pandemia] acontecer. A tinta da caneta nem tinha secado e começou a praga. Agora não vejo mais [o acordo] do mesmo jeito”, afirmou.

A desavença já havia gerado uma guerra comercial entre os países desde o início de 2018.