China expõe limites no apoio ao Irã em meio a protestos e ameaças dos Estados Unidos

Repressão sangrenta, pressão de Washington e dependência revelam um relacionamento pragmático, baseado mais na conveniência do que em alianças estratégicas profundas

A escalada da repressão aos protestos no Irã e as ameaças dos Estados Unidos de ampliar a pressão contra Teerã expõem os limites da relação estratégica entre China e Teerã. Apesar de ser o principal parceiro comercial iraniano e o maior comprador de seu petróleo, Beijing tem adotado uma postura cautelosa diante da crise, evitando oferecer apoio político direto ao regime dos aiatolás. As informações são da Radio Free Europe.

Especialistas apontam que o alinhamento entre China e Irã é essencialmente pragmático. A parceria se sustenta no interesse mútuo de conter a influência de Washington e na troca de petróleo por produtos manufaturados, mas carece de vínculos ideológicos profundos ou compromissos políticos duradouros.

Após distúrbios registrados na noite de 9 de janeiro em Teerã, danos ao patrimônio público foram observados em diferentes pontos da cidade (Foto: WikiCommons)

Enquanto o governo iraniano intensifica uma repressão considerada sem precedentes por organizações de direitos humanos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou novas tarifas e ameaçou medidas mais duras contra países que mantêm relações comerciais com Teerã. A reação chinesa limitou-se a críticas às tarifas e a declarações genéricas sobre estabilidade, sem condenar a violência nem oferecer apoio explícito ao regime.

A dependência energética, embora relevante, também perdeu força como fator de pressão. A China ampliou seus estoques estratégicos de petróleo e diversificou fornecedores, reduzindo o impacto de uma eventual interrupção nas importações iranianas. Já para o Irã, a relação com Beijing segue sendo essencial para sustentar a economia sob sanções, o que cria uma assimetria clara na parceria.

Internamente, pedidos públicos de ajuda feitos por autoridades iranianas chegaram a gerar críticas nas redes sociais chinesas, onde usuários questionaram a expectativa de que Beijing assuma custos políticos ou econômicos para defender Teerã.

O episódio reforça uma percepção recorrente entre analistas: embora China e Irã compartilhem adversários e interesses pontuais, enxergam sua relação de formas diferentes. Para Beijing , o vínculo é instrumental; para Teerã, cada vez mais, uma tábua de salvação incerta.

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