A discussão sobre quem vai policiar Gaza no pós-guerra voltou ao centro do debate internacional após o cessar-fogo e a expectativa de anúncio de uma força internacional de estabilização pelos Estados Unidos. Desde o início do conflito desencadeado pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, autoridades americanas elaboram estratégias para evitar um vácuo de poder no território. As informações são da NPR.
Um memorando preparado ainda no governo Joe Biden recomendava duas medidas centrais: criar imediatamente forças de segurança palestinas com apoio internacional e promover mudanças na política israelense na Cisjordânia para fortalecer a Autoridade Palestina. A avaliação era clara: sem uma estrutura de segurança organizada, o Hamas ou outros grupos poderiam retomar o controle.

Agora, sob o governo Donald Trump, a expectativa é de que seja anunciada uma força internacional de estabilização com milhares de soldados de diversos países, além de um plano bilionário de reconstrução. No entanto, até o momento, nenhuma estrutura definitiva foi implementada em Gaza.
Treinamento de policiais palestinos enfrenta obstáculos
Nos últimos dois anos, os Estados Unidos ampliaram iniciativas para treinar membros das forças de segurança da Autoridade Palestina, incluindo capacitação tática no modelo SWAT. Parte do treinamento ocorreu na Jordânia, após planos no Egito serem descartados por falta de estrutura.
Cerca de 700 agentes foram treinados, mas ex-funcionários americanos consideraram a formação insuficiente, principalmente devido às restrições para treinamento com munição real na Cisjordânia. Estima-se que seriam necessários ao menos 3 mil policiais para garantir a segurança em Gaza, número ainda distante da realidade atual.
Além disso, há receio de que o treinamento possa ser usado contra Israel, o que gerou resistência tanto em Washington quanto em Tel Aviv.
Policiamento digital e disputa política
Outra frente discutida envolve policiamento digital e defesa cibernética, com uso de ferramentas de análise de dados e inteligência. A proposta, inicialmente arquivada por receios de abuso, voltou à pauta após o novo cessar-fogo.
Enquanto isso, o Hamas afirma aceitar a transferência das responsabilidades de segurança para uma nova força palestina, mas exige que milhares de policiais contratados pelo grupo antes da guerra sejam incorporados à futura estrutura. Paralelamente, Israel avalia integrar clãs locais que colaboraram durante o conflito, proposta que enfrenta resistência da União Europeia.
Risco de vácuo de poder em Gaza
Analistas alertam que, sem definição clara sobre quem vai policiar Gaza, o território pode enfrentar um vácuo de poder. A retirada das forças israelenses, sem uma autoridade consolidada, pode abrir espaço para o retorno de grupos armados ou para a fragmentação da segurança local.