A guerra entre Estados Unidos e Irã entrou em uma fase estratégica delicada. Embora o presidente Donald Trump sinalize que está perto de declarar vitória militar, analistas e diplomatas alertam que Teerã ainda possui instrumentos capazes de prolongar o conflito e provocar impactos globais. As informações são do Washington Post.
Após duas semanas de ataques conjuntos dos EUA e de Israel, grande parte da marinha iraniana foi destruída, assim como uma parcela significativa do arsenal de mísseis do país. Lideranças importantes do regime também foram mortas nos bombardeios iniciais.
Apesar dessas perdas, o Irã mantém duas cartas estratégicas consideradas decisivas: sua influência sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz e o estoque estimado de 440 quilos de urânio altamente enriquecido.
Especialistas afirmam que esses fatores podem impedir um encerramento rápido da guerra.

O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Por ali passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, incluindo exportações de países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
Desde o início da guerra, forças iranianas têm atacado navios e colocado minas na região, dificultando o tráfego marítimo. A tensão já provocou uma alta de cerca de 25% nos preços da gasolina nos Estados Unidos e pressiona mercados globais de energia.
Diante desse cenário, Washington intensificou a presença militar na região. Uma unidade expedicionária de fuzileiros navais foi enviada do Japão para o Oriente Médio, reforçando a capacidade de resposta das forças americanas.
O envio inclui mais de dois mil fuzileiros navais e navios de guerra, preparados para operações anfíbias e possíveis ataques a alvos estratégicos iranianos.
Um dos pontos considerados críticos é a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã. Autoridades americanas afirmam que instalações militares na ilha já foram destruídas, mas analistas dizem que o controle da área pode se tornar decisivo para o desenrolar da guerra.
Enquanto isso, cresce a preocupação com o programa nuclear iraniano. Com a morte do líder supremo Ali Khamenei nos primeiros ataques do conflito, o poder no país passa por reorganização sob a liderança de Mojtaba Khamenei.
Diplomatas temem que setores mais radicais do regime pressionem pela aceleração do desenvolvimento de uma arma nuclear, como forma de dissuasão contra novos ataques.
Esse cenário cria um dilema estratégico para Washington. Mesmo com avanços militares no campo de batalha, os Estados Unidos podem enfrentar dificuldades para encerrar a guerra sem garantir o controle do programa nuclear iraniano ou estabilizar o fluxo global de petróleo.
Para evitar uma crise energética ainda maior, os países da Agência Internacional de Energia (IEA, da sigla em inglês) anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas. A medida busca conter a escalada dos preços no mercado internacional.
Ao mesmo tempo, o governo Trump suspendeu temporariamente sanções contra exportações de petróleo da Rússia, numa tentativa de ampliar a oferta global de energia.
Analistas alertam, porém, que a guerra pode se tornar ainda mais complexa caso os Estados Unidos avancem para objetivos mais ambiciosos, como a mudança de regime em Teerã.
Mesmo enfraquecido militarmente, o Irã ainda possui capacidade de influenciar mercados globais, desestabilizar rotas energéticas e acelerar seu programa nuclear, fatores que mantêm o conflito longe de um desfecho simples.