Prazo de 14 dias pode definir nova crise mundial do petróleo

Executivos e mercado alertam para disparada do petróleo e risco de escassez energética caso impasse entre EUA e Irã não seja resolvido rapidamente

A tensão no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo, colocou a economia mundial diante de um prazo crítico: duas semanas. Esse é o tempo que executivos, analistas e o próprio mercado financeiro consideram decisivo para evitar uma escalada nos preços da energia e impactos mais profundos na atividade econômica global. As informações são da CNBC.

A preocupação ganhou força após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que estabeleceu um ultimato para que o Irã reabra a passagem marítima. Em resposta, autoridades iranianas também indicaram um prazo semelhante, elevando o risco de um impasse prolongado.

Militar dos EUA em posição de guarda no USS Paul Hamilton durante travessia do Estreito de Ormuz, em 2023 (Foto: WikiCommons)

Durante uma teleconferência do Conselho de Diretores Financeiros (CFO Council) da CNBC, líderes empresariais demonstraram preocupação com um possível choque no petróleo. O especialista em energia John Kilduff, da Again Capital, afirmou que o mercado trabalha com uma janela curta para solução antes que os preços disparem de forma significativa.

Segundo ele, caso não haja avanço até o início de abril, o barril do petróleo pode ultrapassar de forma consistente a marca de US$ 100, com tendência de alta adicional. O cenário mais crítico inclui escassez energética, especialmente na Ásia, e redução da atividade industrial em países dependentes de importação.

Os efeitos já começam a aparecer. O Nasdaq entrou em correção, registrando a quarta semana consecutiva de queda, enquanto ativos considerados seguros também recuam, refletindo o nível de incerteza global.

Empresas de diversos setores passaram a revisar seus cenários. No setor de energia, executivos trabalham com três possibilidades: reabertura do estreito ainda em março, solução apenas no meio do ano ou um fechamento prolongado até o final de 2026. Diante da imprevisibilidade, o planejamento tem sido guiado pelo pior cenário.

Mesmo companhias fora do setor energético já sentem os efeitos indiretos. Executivos da área de tecnologia destacam que a pressão sobre o consumo global tende a afetar diretamente a demanda corporativa, criando um efeito em cadeia na economia.

Apesar de medidas emergenciais, como uso de reservas estratégicas e aumento da produção, especialistas avaliam que não há capacidade suficiente para compensar uma interrupção prolongada. O Estreito de Ormuz responde por cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, volume considerado impossível de ser redirecionado integralmente por outras rotas.

O risco de uma crise energética mais ampla cresce à medida que o impasse se prolonga. Países como Índia, Japão e Coreia do Sul podem ser obrigados a reduzir a produção industrial para preservar energia, caso o fornecimento seja comprometido.

Nos Estados Unidos, a situação é considerada menos crítica no curto prazo, devido à forte produção interna. Ainda assim, especialistas alertam que, até o final do ano, nem mesmo o país estará imune aos efeitos de uma crise prolongada.

Outro fator de preocupação é o impacto inflacionário. A alta do petróleo tende a pressionar toda a cadeia produtiva, afetando preços, consumo e confiança dos investidores.

Mesmo em caso de resolução, o mercado já indica que o petróleo deve permanecer em patamares elevados por mais tempo. Danos à infraestrutura energética no Oriente Médio e riscos geopolíticos persistentes devem manter o chamado “prêmio de risco” nos preços.

No cenário mais pessimista, uma escalada militar pode atingir instalações de produção em países vizinhos ao Irã, ampliando ainda mais o impacto global. Analistas apontam que ataques a grandes produtores poderiam elevar o preço do barril em até US$ 20 de forma imediata.

Diante disso, o mercado vive um momento de expectativa. A possibilidade de resolução rápida ainda segura os preços dentro de uma faixa relativamente estável. No entanto, se o impasse ultrapassar o limite das próximas duas semanas, uma nova onda de alta deve se consolidar.

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