A decisão da Espanha de fechar seu espaço aéreo para aeronaves dos Estados Unidos envolvidas na guerra com o Irã elevou a tensão diplomática entre os dois países e abriu um novo capítulo de divergências dentro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte). A medida foi confirmada pelo governo espanhol como parte de uma política mais ampla de não apoio às operações militares conduzidas por Washington e seus aliados no Oriente Médio. As informações são da Newsweek.
A Casa Branca reagiu afirmando que não depende de apoio externo para conduzir a chamada Operação Epic Fury (“Fúria Épica”). Segundo um funcionário do governo americano, as forças dos EUA estão “atingindo ou superando todos os objetivos”, minimizando o impacto da decisão espanhola. Ainda assim, o gesto de Madri foi interpretado como um sinal político relevante em meio à escalada do conflito.

A posição espanhola foi reforçada pela ministra da Defesa, Margarita Robles, que destacou que o país já havia proibido o uso de bases militares conjuntas, como Rota e Morón, e apenas estendeu essa restrição ao espaço aéreo. Para o governo, permitir operações ligadas ao conflito violaria princípios legais e diplomáticos adotados por Madri.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez também se manifestou publicamente contra a guerra, defendendo o fim das hostilidades. A declaração reforça a postura crítica do país em relação às ações militares no Oriente Médio e evidencia uma linha política distinta dentro da aliança ocidental.
A reação dos EUA incluiu ameaças comerciais por parte do presidente Donald Trump, que já vinha pressionando a Espanha por maiores investimentos em defesa. O tema não é novo: Washington cobra que os aliados cumpram metas mais ambiciosas dentro da Otan, enquanto o governo espanhol sustenta que seus atuais níveis de investimento são suficientes para atender às obrigações do tratado.
Mesmo com o impasse, a Espanha segue como membro da Otan desde 1982. A aliança, no entanto, não exige apoio automático a todas as operações militares dos Estados Unidos, o que permite que países membros adotem posições independentes em conflitos específicos, como no caso da guerra com o Irã.
O secretário de Estado Marco Rubio criticou a postura espanhola e alertou para possíveis revisões no papel da Otan, caso aliados restrinjam o uso de bases e estruturas estratégicas. A fala evidencia o desconforto crescente dentro da aliança em um momento de instabilidade global.
No campo militar, o conflito já registra perdas. Pelo menos 13 militares americanos morreram desde o início das operações contra o Irã, segundo relatos oficiais e da imprensa internacional. Os números incluem vítimas de ataques com mísseis e drones, além de incidentes operacionais durante a guerra.