Protestos estudantis explodem na Europa contra cortes e ensino cada vez mais caro

Manifestações que começaram na França chegaram a Bélgica, Itália, Grécia, Irlanda, Alemanha e Áustria, com estudantes questionando falta de recursos, condições das escolas e custos do ensino

Uma onda de protestos estudantis vem se espalhando por diferentes países europeus em meio à insatisfação com o financiamento da educação, as condições das escolas e universidades e o aumento dos custos para estudantes e famílias. A mobilização ganhou força na França em setembro e passou a encontrar eco em países como Bélgica, Itália, Grécia, Irlanda, Alemanha e Áustria. As informações são da Axios.

Os movimentos não formam uma campanha europeia coordenada, mas apresentam reivindicações semelhantes. Entre os principais problemas apontados estão a falta de professores, salas de aula superlotadas, deterioração da infraestrutura escolar, redução de investimentos públicos e aumento das despesas relacionadas à educação.

Manifestação estudantil contra o aumento das taxas universitárias na Bélgica francófona, em março de 2026 (Foto: WikiCommons)

Na Bélgica, estudantes entraram em confronto com a polícia em Liège na quarta-feira (7), durante manifestações contra reformas educacionais e cortes orçamentários. A polícia de choque utilizou gás lacrimogêneo contra manifestantes reunidos diante de escolas.

Segundo informações divulgadas pela imprensa local, pelo menos 139 pessoas foram presas em Liège desde o início dos protestos, em 1º de outubro.

França

A mobilização ganhou maior dimensão na França. Os primeiros protestos começaram em Paris, em meados de setembro, com estudantes do ensino médio, mas posteriormente incorporaram pais e sindicatos de professores.

Os confrontos com a polícia aumentaram nos últimos dias. Um adolescente de 15 anos perdeu uma das mãos depois de ser atingido por uma granada de efeito moral disparada durante uma manifestação.

Mais de 6.500 pessoas foram presas desde o início dos protestos franceses, segundo os dados citados pelo Axios. A maioria dos detidos é formada por menores de idade.

O episódio levou as autoridades francesas a suspender o uso de granadas de efeito moral pela polícia durante os protestos estudantis.

Outros países

Na Grécia, estudantes convocaram mobilizações em escolas de todo o país para 8 de outubro. A programação inclui assembleias, paralisações, manifestações e possíveis ocupações.

Na Itália, estudantes começaram a ocupar escolas secundárias em Turim e Roma. O movimento adotou o lema “Vamos fazer como na França”.

Os estudantes italianos reclamam da falta de recursos, da deterioração dos prédios escolares e do aumento do custo de vida. Uma delegação também viajou a Paris para demonstrar solidariedade aos manifestantes franceses, segundo a agência ANSA.

Na Irlanda, milhares de estudantes universitários participaram de uma manifestação em Dublin no início de outubro. Entre as reivindicações estão a redução das taxas cobradas dos estudantes, maior financiamento para o ensino superior e oferta de moradia a preços acessíveis.

Na Alemanha, estudantes, professores, pais e sindicatos participaram de manifestações em setembro. Os grupos reivindicam mais investimentos em educação, contratação de professores e um sistema escolar considerado mais equilibrado.

Na Áustria, grupos estudantis preparam novas manifestações para meados de outubro. A associação universitária do país alertou para possíveis cortes de aproximadamente 1 bilhão de euros no orçamento das universidades nos próximos três anos.

Pressão fiscal

Os protestos ocorrem em um momento de pressão sobre as contas públicas europeias. Governos de diferentes países estão tentando reduzir déficits enquanto enfrentam custos maiores para financiar suas dívidas.

França e Bélgica devem registrar déficits orçamentários superiores a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, segundo projeções da Comissão Europeia. Na Áustria, o déficit deve superar 4% do PIB.

O cenário restringe a capacidade dos governos de ampliar gastos públicos justamente em áreas nas quais estudantes, professores e famílias estão pressionando por mais recursos.

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