A guerra entre Israel, EUA e Irã, além de redesenhar o equilíbrio de forças no Oriente Médio, pode representar uma oportunidade estratégica para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu resolver uma série de problemas que se acumulam há anos em seu governo. As informações são da Al Jazeera.
Do campo militar à política interna, o conflito abre caminhos que podem fortalecer sua posição no poder. Veja os cinco principais pontos.

1- Reforço da narrativa sobre a ameaça iraniana
Há décadas, Netanyahu sustenta que o Irã representa uma ameaça existencial para Israel. Ao liderar uma ofensiva direta contra Teerã – agora com apoio dos Estados Unidos – ele transforma discurso em ação.
Mesmo sem um desfecho definitivo, o enfraquecimento do Irã e de seus aliados regionais permite ao premiê reforçar a ideia de que sua estratégia de segurança está correta, consolidando Israel como potência dominante na região.
2- Aliança consolidada com os Estados Unidos
Um dos maiores objetivos de Netanyahu sempre foi garantir o envolvimento direto dos EUA em um eventual conflito com o Irã. Com a participação americana desde o início da ofensiva, ele alcança um feito histórico.
A aproximação fortalece Israel no cenário internacional e amplia o peso político de Netanyahu, que passa a ser visto como o líder que conseguiu alinhar Washington a uma guerra de alto risco no Oriente Médio.
3- Pressão reduzida sobre julgamentos por corrupção
Netanyahu responde a processos por corrupção desde 2019 e enfrenta o risco de condenação. Em meio à guerra, cresce o argumento de que o primeiro-ministro precisa estar totalmente dedicado à condução do país.
O contexto de conflito ajuda a justificar adiamentos no processo e alimenta discussões sobre um possível indulto, o que pode aliviar a pressão jurídica sobre o líder israelense.
4- Avanço de pautas polêmicas
As propostas de mudança no sistema judicial, que enfrentavam forte resistência popular, podem ganhar espaço em meio ao cenário de guerra.
Com a atenção da população voltada ao conflito, o governo tem mais margem para tentar aprovar medidas que ampliam seu controle institucional, incluindo mudanças no papel do procurador-geral e maior influência sobre órgãos estratégicos.
5- Recuperação política e fôlego para eleições
Antes da escalada com o Irã, Netanyahu enfrentava desgaste e risco de derrota nas urnas. Agora, o cenário começa a mudar.
A guerra tende a aumentar o apoio interno, impulsionando a imagem de liderança em tempos de crise. Com isso, aliados já consideram a possibilidade de antecipar eleições, apostando no efeito político positivo do conflito.
Mais do que uma disputa militar, a guerra com o Irã se insere como um elemento central na sobrevivência política de Netanyahu. Em meio a críticas internacionais e incertezas sobre o desfecho do conflito, o premiê pode transformar a crise em uma chance de reconfigurar seu futuro no poder.