A reconstrução de Gaza surge como um dos maiores desafios humanitários e políticos do século 21. Após meses de guerra entre Israel e Hamas, o enclave enfrenta um nível de destruição comparável ao de cidades europeias após a Segunda Guerra Mundial. Especialistas alertam que, sem planejamento realista e coordenação internacional, o processo pode se arrastar por décadas. As informações são do Foreign Policy.
Estima-se que cerca de 70% das edificações tenham sido danificadas ou destruídas, enquanto aproximadamente 90% da população foi deslocada. Hospitais, escolas, redes de água e energia operam de forma precária ou deixaram de funcionar. O custo da reconstrução pode ultrapassar 70 bilhões de dólares, tornando Gaza um dos projetos de recuperação mais complexos da história recente.

Desafios políticos e de segurança
A reconstrução de Gaza não pode avançar plenamente sem a resolução de impasses políticos e de segurança. Até o momento, não há garantias sólidas de governança nem consenso entre os principais atores envolvidos. A ausência de estabilidade compromete investimentos de longo prazo e reduz a confiança da comunidade internacional.
Planejamento urbano e infraestrutura
Analistas defendem que Gaza não deve apenas restaurar o que foi perdido, mas repensar sua infraestrutura. Isso inclui transporte, energia, água, planejamento urbano, governança e meio ambiente. Um projeto integrado poderia transformar o território em uma região funcional, sustentável e economicamente viável no futuro.
Escombros e riscos ambientais
Um dos maiores entraves à reconstrução de Gaza é a remoção de escombros. Estima-se a existência de mais de 68 milhões de toneladas de detritos, além de munições não detonadas e restos mortais. Organismos internacionais avaliam que apenas essa etapa pode levar até 20 anos, se não houver cooperação global e uso de novas tecnologias.
Moradia e deslocamento da população
Cerca de 1,5 milhão de palestinos podem precisar de abrigo temporário durante a reconstrução. A experiência internacional mostra que acampamentos improvisados tendem a se tornar permanentes. Por isso, especialistas defendem moradias provisórias planejadas para evoluir em bairros definitivos, evitando a perpetuação da crise humanitária.
Financiamento e governança
Bilhões de dólares em doações e investimentos privados podem chegar a Gaza, mas o histórico de reconstruções pós-conflito mostra que dinheiro sem governança eficiente não garante resultados. Transparência, coordenação entre doadores e controle institucional serão decisivos para evitar corrupção e desperdício de recursos.
Mão de obra e recuperação social
A guerra reduziu drasticamente a força de trabalho local. Programas de capacitação profissional serão essenciais, assim como a possível contratação de mão de obra estrangeira. Além disso, a reconstrução física precisa caminhar junto à recuperação social, enfrentando traumas psicológicos, perda de coesão comunitária e desigualdades históricas.
O próximo ano será determinante para definir se Gaza iniciará uma reconstrução baseada em planejamento realista ou permanecerá presa a ciclos de destruição e falsas promessas. Detalhes técnicos, muitas vezes ignorados, podem ser o diferencial entre um projeto de décadas e uma recuperação sustentável.