As forças israelenses mataram ao menos 11 palestinos na Faixa de Gaza nesta quarta-feira (21), incluindo três jornalistas, dois meninos de 13 anos e uma mulher, segundo informações de hospitais locais. O episódio é considerado um dos mais violentos desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre Israel e o Hamas, firmado em outubro. As informações são da NPR.
Entre as vítimas estão três jornalistas palestinos que foram mortos enquanto filmavam nas proximidades de um campo de deslocados no centro de Gaza. De acordo com autoridades locais, eles registravam a instalação de um novo acampamento quando o veículo em que estavam foi atingido. O Exército israelense afirmou que identificou suspeitos operando um drone que representaria ameaça às tropas.

Crianças mortas em ataques separados
Os dois meninos de 13 anos morreram em incidentes distintos. No campo de refugiados de Bureij, no centro do território, um adolescente foi atingido junto com o pai e outro homem durante um ataque com drones. Os corpos foram levados ao Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah.
Em outro episódio, um jovem da mesma idade foi morto a tiros na cidade de Bani Suheila, no leste de Gaza, segundo o Hospital Nasser. A mãe da criança relatou que o filho havia saído de casa para buscar lenha, necessária para o preparo de alimentos.
Ataque a jornalistas reacende alerta sobre segurança da imprensa
Um dos jornalistas mortos, Abdul Raouf Shaat, colaborava regularmente com a Agence France-Presse, embora não estivesse em serviço para a agência no momento do ataque. Em nota, a AFP pediu uma investigação completa e destacou a relação próxima do profissional com as equipes que cobrem Gaza.
Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas, mais de 200 jornalistas e profissionais da mídia palestinos foram mortos no território desde o início da guerra, em 2023. As restrições impostas por Israel à entrada de jornalistas estrangeiros fazem com que a cobertura dependa majoritariamente de profissionais locais.
Número de mortos segue crescendo após cessar-fogo
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 470 palestinos morreram em ações israelenses desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro. Ao menos 77 dessas mortes ocorreram próximo à linha que separa áreas controladas por Israel do restante do território palestino.
Os registros do ministério, ligado ao governo do Hamas, são considerados confiáveis por agências da ONU e especialistas independentes, segundo avaliações anteriores.
Escalada regional inclui novos ataques no Líbano
Além dos episódios em Gaza, Israel realizou ataques aéreos no sul do Líbano, atingindo locais que, segundo os militares israelenses, eram usados pelo Hezbollah para armazenamento e transporte de armas. Autoridades libanesas relataram feridos, incluindo jornalistas, e classificaram os bombardeios como agressão sistemática.
Os ataques fazem parte de uma série de ações militares quase diárias desde o cessar-fogo que encerrou a guerra de 14 meses entre Israel e o Hezbollah, acordo que previa o desarmamento de grupos militantes no território libanês.