Os Emirados Árabes Unidos iniciaram o processo de aposentadoria de seus caças Dassault Mirage 2000-9 à medida que se preparam para receber os novos Rafale F4, fabricados pela França. O movimento, no entanto, vai além de uma simples atualização de frota e evidencia o papel central de Paris nas decisões estratégicas de defesa que envolvem países africanos. As informações são do Business Insider Africa.
Embora os Emirados sejam os operadores diretos das aeronaves, qualquer transferência dos Mirage 2000-9 para outras nações depende da aprovação do governo francês, conforme previsto nos contratos originais de fabricação. Isso coloca a França como mediadora direta sobre quais países poderão se beneficiar da redistribuição desses equipamentos militares.

Países como Marrocos, Egito e Etiópia já foram citados como possíveis destinatários dos caças usados. No caso marroquino, a incorporação dos Mirage 2000-9E poderia fortalecer uma força aérea que já opera F-16 e Mirage F1 modernizados, ampliando suas capacidades em um cenário regional marcado por disputas estratégicas, especialmente com a Argélia.
Segundo informações do setor de defesa, Abu Dhabi pode transferir cerca de metade de sua frota de Mirage para Marrocos a partir de 2027, quando as entregas dos Rafale F4 começarem. Apesar de haver uma aprovação francesa em princípio, até o início de 2026 não há confirmação oficial de que a operação tenha sido autorizada de forma definitiva.
A França, por sua vez, mantém influência direta sobre o processo. Como fabricante das aeronaves, Paris pode aprovar, atrasar ou impor condições às transferências, garantindo controle político e estratégico sobre a modernização das forças aéreas africanas.
Esse modelo de controle reforça a presença histórica francesa no setor de defesa do continente, mesmo diante do avanço de parcerias com países do Golfo, como os Emirados Árabes Unidos. Na prática, a redistribuição dos Mirage expõe uma dinâmica mais ampla: a França continua sendo um ator-chave na arquitetura de segurança africana, usando instrumentos contratuais para preservar sua influência militar e diplomática.