Taleban diz investigar suposta execução de dezenas de afegãos que tentavam entrar no Irã

Forças iranianas teriam usado armas de fogo e lançadores de granadas para atacar cerca de 300 pessoas que tentavam entrar no país

A ONU (Organização das Nações Unidas) revelou na quinta-feira (17) que dezenas de cidadãos afegãos foram supostamente executados por agentes de segurança iranianos quando tentavam cruzar ilegalmente a fronteira entre Afeganistão e Irã. O Taleban afirmou no mesmo dia que iniciou uma investigação.

“Durante a noite de 14 para 15 de outubro, na província iraniana de Sistan, distrito de Sarbaz, área de fronteira de Kala Gan, perto da fronteira Irã-Paquistão, a polícia de fronteira iraniana teria atirado contra um grupo de migrantes afegãos que tentavam cruzar para o Irã”, disse a Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama).

Ponto de passagem da fronteira entre Irã e Afeganistão (Foto: getarchive.net/Creative Commons)

Os números de possíveis vítimas variam conforme o relato, mas as Nações Unidas afirmam que até 260 pessoas podem ter morrido. E acrescenta que o regime talibã anunciou na quarta-feira (16) que está investigando o caso.

O grupo de direitos humanos HalVash, cujo trabalho é direcionado ao povo balúchi do Irã, relatou números semelhantes. “O número de refugiados afegãos era de cerca de 300, dos quais apenas cerca de 60 a 70 sobreviveram e o resto das pessoas foram mortas ou gravemente feridas”, disse a entidade através da rede social X.

Segundo a organização humanitária, as forças iranianas teriam usado armas de fogo e lançadores de granadas contra os afegãos durante a travessia.

A agência Reuters, por sua vez, informou que o embaixador do Irã no Afeganistão, Hassan Kazemi Qomi, negou os relatos da “morte de dezenas de cidadãos ilegais”.

“A Unama pede investigações completas e transparentes sobre o suposto incidente e lembra a todas as partes que os direitos dos migrantes, refugiados e requerentes de asilo são protegidos pelo direito internacional”, afirmou a agência da ONU.

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