Greg Bovino deve deixar Minneapolis em meio a crise após morte de enfermeiro durante operação de imigração

Relatos divergentes apontam para a possível saída do chefe da Patrulha de Fronteira dos EUA em meio à pressão política e judicial enfrentada pelo governo Trump devido à Operação Metro Surge em Minnesota

O chefe da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos, Greg Bovino, e parte dos agentes federais destacados para Minneapolis devem deixar a cidade nesta terça (27), segundo informações de fontes ouvidas pela Associated Press. A possível retirada ocorre em meio a uma escalada de tensões políticas, judiciais e sociais após a morte a tiros de Alex Pretti, enfermeiro de UTI de 37 anos, durante uma operação federal de imigração no último sábado (24). As informações são da Newsweek.

Apesar dos relatos, o governo federal negou oficialmente que Bovino tenha sido afastado do cargo. A secretária adjunta Tricia McLaughlin afirmou que o comandante “não foi exonerado” e segue como figura-chave da equipe do presidente Donald Trump. A declaração contrasta com informações que circulam entre autoridades e jornalistas, indicando uma reorganização do comando das operações federais em Minnesota.

O Departamento de Segurança Interna (DHS), no entanto, determinou a suspensão imediata do acesso do comandante de Bovino às suas contas em redes sociais, de acordo com uma fonte com conhecimento do caso.

Greg Bovino em foto de setembro de 2025 (Foto: WikiCommons)

A controvérsia se intensificou com a chegada iminente de Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”, enviado por Trump para assumir o controle das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, da sigla em inglês) no estado. A mudança sinaliza uma tentativa da Casa Branca de conter a crise provocada pela Operação Metro Surge, que ampliou de forma significativa a presença de agentes federais em Minneapolis e outras cidades.

Greg Bovino se tornou o rosto público dessa ofensiva migratória. Veterano com três décadas de atuação na Patrulha da Fronteira, ele liderou operações de alto impacto em cidades como Los Angeles, Chicago e Charlotte, adotando uma postura dura que agradou setores conservadores, mas gerou forte resistência de autoridades locais e defensores dos direitos civis. Em Minneapolis, a presença ostensiva de agentes da Patrulha da Fronteira, tradicionalmente voltada à segurança das fronteiras, ampliou o conflito institucional com governos municipais.

A morte de Alex Pretti marcou um ponto de ruptura. O enfermeiro foi baleado durante uma ação de imigração na região conhecida como Eat Street, área central da cidade. O episódio gerou protestos, indignação popular e levou o governador de Minnesota, Tim Walz, a mobilizar a Guarda Nacional para garantir a segurança em prédios federais e no entorno do local do tiroteio.

Walz pressionou o presidente Trump por uma investigação independente e pela redução do número de agentes federais no estado. Após conversa telefônica entre os dois, Trump concordou que o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota deve conduzir a apuração do caso, após tentativas iniciais do Departamento de Segurança Interna de restringir o acesso ao local do crime.

O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também se manifestou publicamente após falar com Trump. Segundo ele, a cidade se beneficia historicamente de suas comunidades imigrantes e não tem condições de sustentar a atual operação federal, que estaria sobrecarregando as forças locais de segurança.

Paralelamente, Minnesota, Minneapolis e St. Paul ingressaram com uma ação judicial contra o Departamento de Segurança Interna, pedindo a suspensão da Operação Metro Surge e a retomada dos níveis anteriores de presença federal. O governo federal, por sua vez, classificou o processo como infundado e acusou o estado de tentar interferir na aplicação da lei federal.

Enquanto apoiadores de Bovino acusam o governo Trump de ceder à pressão política, críticos veem sua possível saída como resultado direto da reação pública ao tiroteio e às declarações do comandante, que defendeu a operação e evitou identificar o agente responsável pela morte de Pretti.

A expectativa agora é pela chegada de Tom Homan a Minnesota e pela redefinição do comando das operações de imigração. O desfecho pode influenciar não apenas o futuro da Operação Metro Surge, mas também a estratégia nacional do governo Trump em relação à imigração e ao uso de forças federais em grandes centros urbanos.

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