O chefe da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos, Greg Bovino, e parte dos agentes federais destacados para Minneapolis devem deixar a cidade nesta terça (27), segundo informações de fontes ouvidas pela Associated Press. A possível retirada ocorre em meio a uma escalada de tensões políticas, judiciais e sociais após a morte a tiros de Alex Pretti, enfermeiro de UTI de 37 anos, durante uma operação federal de imigração no último sábado (24). As informações são da Newsweek.
Apesar dos relatos, o governo federal negou oficialmente que Bovino tenha sido afastado do cargo. A secretária adjunta Tricia McLaughlin afirmou que o comandante “não foi exonerado” e segue como figura-chave da equipe do presidente Donald Trump. A declaração contrasta com informações que circulam entre autoridades e jornalistas, indicando uma reorganização do comando das operações federais em Minnesota.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), no entanto, determinou a suspensão imediata do acesso do comandante de Bovino às suas contas em redes sociais, de acordo com uma fonte com conhecimento do caso.

A controvérsia se intensificou com a chegada iminente de Tom Homan, conhecido como o “czar da fronteira”, enviado por Trump para assumir o controle das ações do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, da sigla em inglês) no estado. A mudança sinaliza uma tentativa da Casa Branca de conter a crise provocada pela Operação Metro Surge, que ampliou de forma significativa a presença de agentes federais em Minneapolis e outras cidades.
Greg Bovino se tornou o rosto público dessa ofensiva migratória. Veterano com três décadas de atuação na Patrulha da Fronteira, ele liderou operações de alto impacto em cidades como Los Angeles, Chicago e Charlotte, adotando uma postura dura que agradou setores conservadores, mas gerou forte resistência de autoridades locais e defensores dos direitos civis. Em Minneapolis, a presença ostensiva de agentes da Patrulha da Fronteira, tradicionalmente voltada à segurança das fronteiras, ampliou o conflito institucional com governos municipais.
A morte de Alex Pretti marcou um ponto de ruptura. O enfermeiro foi baleado durante uma ação de imigração na região conhecida como Eat Street, área central da cidade. O episódio gerou protestos, indignação popular e levou o governador de Minnesota, Tim Walz, a mobilizar a Guarda Nacional para garantir a segurança em prédios federais e no entorno do local do tiroteio.
Walz pressionou o presidente Trump por uma investigação independente e pela redução do número de agentes federais no estado. Após conversa telefônica entre os dois, Trump concordou que o Departamento de Investigação Criminal de Minnesota deve conduzir a apuração do caso, após tentativas iniciais do Departamento de Segurança Interna de restringir o acesso ao local do crime.
O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, também se manifestou publicamente após falar com Trump. Segundo ele, a cidade se beneficia historicamente de suas comunidades imigrantes e não tem condições de sustentar a atual operação federal, que estaria sobrecarregando as forças locais de segurança.
Paralelamente, Minnesota, Minneapolis e St. Paul ingressaram com uma ação judicial contra o Departamento de Segurança Interna, pedindo a suspensão da Operação Metro Surge e a retomada dos níveis anteriores de presença federal. O governo federal, por sua vez, classificou o processo como infundado e acusou o estado de tentar interferir na aplicação da lei federal.
Enquanto apoiadores de Bovino acusam o governo Trump de ceder à pressão política, críticos veem sua possível saída como resultado direto da reação pública ao tiroteio e às declarações do comandante, que defendeu a operação e evitou identificar o agente responsável pela morte de Pretti.
A expectativa agora é pela chegada de Tom Homan a Minnesota e pela redefinição do comando das operações de imigração. O desfecho pode influenciar não apenas o futuro da Operação Metro Surge, mas também a estratégia nacional do governo Trump em relação à imigração e ao uso de forças federais em grandes centros urbanos.