Investimento petrolífero chinês fracassa no Afeganistão

Acordo de US$ 540 milhões fracassa em meio a conflitos sobre investimentos e royalties. Funcionários chineses são detidos e produção de campos na Bacia de Amu Darya sofre interrupções

Em 2023, autoridades afegãs e engenheiros chineses se reuniram na província de Sar-e-Pul para marcar a abertura de campos de petróleo com investimento chinês, localizados na estratégica bacia do rio Amu Darya. O contrato de 25 anos previa US$ 540 milhões em investimentos nos primeiros três anos, sendo o primeiro investimento estrangeiro no Afeganistão desde a retomada do poder pelo Taleban, em 2021. As informações são da rede NPR.

Na época, o enviado da China, Wang Yu, saudou o acordo como “um projeto importante” para os dois países. O contrato estipulava que todo o petróleo seria processado no Afeganistão, sem exportação de matéria-prima bruta.

Dois anos depois, porém, o acordo fracassou. Autoridades afegãs acusaram a Xinjiang Central Asia Petroleum and Gas Company de descumprir o contrato, enquanto funcionários chineses da joint venture AfgChin Oil and Gas Ltd. relataram ter sido expulsos à força e compararam a ação do Taleban a “roubo”.

Bomba de vareta de sucção usada na extração (Foto: Pxhere)

Segundo fontes chinesas e afegãs, o Taleban confiscou passaportes de uma dúzia de funcionários, impedindo sua saída do país. Após a intervenção do ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, alguns foram liberados e já retornaram à China, mas pelo menos três permanecem em Cabul enquanto a transferência da joint venture é processada.

O Ministério de Minas do Afeganistão afirma que a China não cumpriu os investimentos prometidos, não pagou royalties e não concluiu pesquisas geológicas e infraestrutura planejada. Do lado chinês, funcionários alegam que a produção dos poços agora é feita sem conhecimento técnico, com segurança comprometida, e que a joint venture foi tomada à força.

De acordo com a reportagem, “o fiasco evidencia os desafios enfrentados pela China e outros investidores estrangeiros no Afeganistão, diante da ausência de Estado de Direito e sanções internacionais”. Apesar das dificuldades, Beijing busca manter relações estratégicas com Cabul, interessada nos recursos minerais do país e na estabilidade da fronteira com Xinjiang.

Especialistas alertam que, sem mudanças na postura do Taleban em relação a investidores estrangeiros, novos projetos bilionários podem permanecer fora de alcance.

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