A produção de ópio no Afeganistão caiu 20% em 2025, segundo um relatório divulgado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). A queda ocorre após a proibição do cultivo de papoula imposta pelo Taleban em 2022, mas o documento alerta para o crescimento preocupante da produção de drogas sintéticas, como a metanfetamina. As informações são da Al Jazeera.
De acordo com o UNODC, a área dedicada ao cultivo de papoula caiu de 12.800 para 10.200 hectares neste ano, uma fração mínima dos 232 mil hectares registrados antes da proibição. O Taleban, que retomou o poder em 2021, proibiu o cultivo em todo o país no ano seguinte, encerrando décadas de dependência da cultura ilícita que fez do Afeganistão o maior produtor de ópio do mundo.

Em 2013, o país era responsável por cerca de 74% de toda a produção global da droga. No entanto, a mudança de política teve efeitos econômicos e sociais profundos. Muitos agricultores passaram a plantar cereais e outras culturas, mas enfrentam condições climáticas cada vez mais adversas. Segundo o relatório, a seca e a baixa pluviosidade levaram ao abandono de mais de 40% das terras agrícolas.
A ONU estima que a produção total de ópio no país tenha caído para 296 toneladas em 2024, colocando o Afeganistão atrás de Mianmar pela primeira vez em décadas. A receita dos agricultores também despencou 48%, para cerca de US$ 134 milhões.
Apesar da redução no cultivo, os preços do ópio permanecem elevados, quase cinco vezes acima da média anterior à proibição, devido à oferta limitada e à demanda contínua. Antes da restrição, os agricultores afegãos colhiam mais de 4.600 toneladas de ópio por ano, mesmo sob risco de repressão e violência.
Avanço das drogas sintéticas preocupa ONU
O relatório aponta que os campos de papoula migraram para o nordeste do Afeganistão, especialmente para a província de Badakhshan, onde houve resistência à repressão. Em maio de 2024, confrontos entre agricultores e forças do Taleban deixaram várias pessoas mortas.
A ONU apelou à comunidade internacional para apoiar os agricultores na busca de meios de subsistência alternativos. O próprio governo taleban também pede ajuda, mas tem dificuldade em oferecer soluções econômicas sustentáveis.
Paralelamente, o UNODC observa um aumento expressivo na produção e no tráfico de drogas sintéticas. As apreensões de metanfetamina no Afeganistão e em países vizinhos cresceram 50% em 2024. Segundo o órgão, o baixo custo de produção, a facilidade de transporte e a menor vulnerabilidade às condições climáticas tornam as drogas sintéticas uma nova fonte de lucro para grupos criminosos organizados.
O Afeganistão chegou a produzir quase 9.900 toneladas de ópio em 2017, gerando receitas de cerca de US$ 1,4 bilhão, o equivalente a 7% do PIB nacional. O cenário atual indica uma transformação no narcotráfico global, com o país perdendo protagonismo na produção de ópio, mas mantendo-se no centro das rotas de entorpecentes na Ásia.