Migrantes chineses impulsionam nova onda na rota dos Balcãs rumo à União Europeia

Uso crescente da isenção de vistos na Sérvia e Bósnia faz disparar tentativas de travessia para a Croácia, apesar dos riscos e da presença crescente de redes de tráfico

A rota dos Balcãs voltou a ganhar força com um novo perfil migratório: cidadãos chineses que viajam para a Sérvia ou Bósnia sem visto e tentam entrar na União Europeia (UE) pela Croácia. O fluxo, que cresce desde 2024, reflete crise econômica, repressão interna e a busca por oportunidades na Europa Ocidental. As informações são da Radio Free Europe.

Dados da Frontex mostram que 482 chineses foram detidos cruzando ilegalmente os Balcãs entre janeiro e setembro de 2025. O número supera todo o ano anterior e indica tendência de alta. Em alguns casos, as travessias têm sido fatais, como o naufrágio no Danúbio, em outubro, que matou um cidadão chinês.

Ponto de travessia de fronteira em Bogojevo, na Voivodina, Sérvia, ligando ao território croata (Foto: WikiCommons)
Motivações: economia estagnada e vigilância crescente

Segundo o ACNUR (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados), mais de 1 milhão de chineses buscaram asilo no exterior desde 2012. O aumento da vigilância, a estagnação salarial, o desemprego juvenil e a falta de proteção legal em disputas trabalhistas impulsionam o êxodo. Rotas tradicionais para emigrar estão restritas, levando muitos à migração irregular.

Por que os Balcãs?

A Sérvia permite estadias de até 30 dias sem visto para chineses. A Bósnia, até 90 dias. Ambas se tornaram portas de entrada para redes de tráfico que organizam travessias clandestinas até a Croácia. Em 2024, 454 chineses pediram asilo em território croata; até setembro de 2025, já eram 377.

Atravessar é arriscado — e caro

Migrantes relatam medo, falta de recursos e dependência de contrabandistas. Redes criminosas atuam em toda a região, cobrando por travessias a pé, em barcos improvisados ou em carros clandestinos. Muitos migrantes evitam procurar embaixadas chinesas, temendo represálias.

Ondas recentes de criminalidade ligada a chineses

Casos recentes reforçam a atuação de grupos de tráfico. Em outubro, Zhang Yong, 42 anos, foi condenado por explorar mulheres chinesas em bordéis na Bósnia. Em janeiro, a Europol desmantelou uma rede chinesa que traficava mulheres para exploração sexual na Espanha e Croácia.

Apesar do aumento específico entre chineses, o número total de migrantes na rota dos Balcãs caiu 47% em 2025, segundo a Frontex. A UE e o Reino Unido intensificaram operações contra contrabando, com envio de agentes, sanções e novas patrulhas na região.

Tendência deve continuar

Especialistas apontam que a deterioração econômica da China, combinada à repressão interna, deve manter a pressão migratória. Para muitos, a rota dos Balcãs se tornou uma das poucas alternativas viáveis para deixar o país, mesmo com riscos, contrabandistas e fronteiras endurecidas.

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