A crise política e militar no Iêmen voltou a ganhar intensidade após o avanço do Conselho de Transição do Sul (STC, da sigla em inglês) sobre a província de Hadramout, uma das regiões mais estratégicas e ricas em petróleo do país. A operação, apoiada pelos Emirados Árabes Unidos, que assumiu o controle da maior parte do território, reacendeu temores de uma nova fase da guerra civil iemenita, estagnada nos últimos anos. As informações são do The New York Times.
O Iêmen vive um conflito multifacetado que fragmenta seu território desde 2014. No norte, os houthis, apoiados pelo Irã, controlam a capital, Sanaa, e concentram a maior parte da população do país. No sul, diferentes grupos armados dividem espaço com o governo internacionalmente reconhecido, sediado em Aden, mas com influência limitada devido às disputas internas.

A ofensiva do STC ocorre após meses de tensões em Hadramout. Em janeiro, combatentes tribais ligados à Arábia Saudita assumiram campos petrolíferos e interromperam o fornecimento ao governo, exigindo maior participação na receita energética e serviços públicos mais eficientes. O bloqueio resultou em apagões generalizados nesta semana, criando um cenário que facilitou o avanço do STC sobre áreas de produção e vales estratégicos da província.
A movimentação também alterou o equilíbrio político regional. A substituição de bandeiras oficiais por símbolos do antigo Iêmen do Sul independente, em postos fronteiriços de Al-Mahra, indica mudanças no alinhamento das forças locais. Representantes do STC afirmam que consultam parceiros internos e internacionais sobre a possibilidade de uma operação coordenada contra os houthis, o que poderia reabrir um conflito armado em larga escala.
A tomada de Hadramout evidencia ainda as divergências crescentes entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Embora aliados próximos, os países passaram a atuar de forma menos alinhada no Iêmen. Enquanto a Riad defende a integridade territorial e busca proteger sua fronteira, os Emirados são apontados por analistas como interessados em ampliar sua influência ao longo da costa sul, área estratégica para o controle de rotas marítimas e portos regionais.