Escalada no Iêmen reacende temor de nova guerra civil após avanço de grupo apoiado pelos Emirados

Movimento separatista toma áreas estratégicas de Hadramout e abala equilíbrio político entre forças locais, Arábia Saudita e Emirados Árabes

A crise política e militar no Iêmen voltou a ganhar intensidade após o avanço do Conselho de Transição do Sul (STC, da sigla em inglês) sobre a província de Hadramout, uma das regiões mais estratégicas e ricas em petróleo do país. A operação, apoiada pelos Emirados Árabes Unidos, que assumiu o controle da maior parte do território, reacendeu temores de uma nova fase da guerra civil iemenita, estagnada nos últimos anos. As informações são do The New York Times.

O Iêmen vive um conflito multifacetado que fragmenta seu território desde 2014. No norte, os houthis, apoiados pelo Irã, controlam a capital, Sanaa, e concentram a maior parte da população do país. No sul, diferentes grupos armados dividem espaço com o governo internacionalmente reconhecido, sediado em Aden, mas com influência limitada devido às disputas internas.

Combatentes viajam na traseira de uma caminhonete da polícia após participarem de um encontro do movimento Houthi em Sanaa, fevereiro de 2020 (Foto: WikiCommons)

A ofensiva do STC ocorre após meses de tensões em Hadramout. Em janeiro, combatentes tribais ligados à Arábia Saudita assumiram campos petrolíferos e interromperam o fornecimento ao governo, exigindo maior participação na receita energética e serviços públicos mais eficientes. O bloqueio resultou em apagões generalizados nesta semana, criando um cenário que facilitou o avanço do STC sobre áreas de produção e vales estratégicos da província.

A movimentação também alterou o equilíbrio político regional. A substituição de bandeiras oficiais por símbolos do antigo Iêmen do Sul independente, em postos fronteiriços de Al-Mahra, indica mudanças no alinhamento das forças locais. Representantes do STC afirmam que consultam parceiros internos e internacionais sobre a possibilidade de uma operação coordenada contra os houthis, o que poderia reabrir um conflito armado em larga escala.

A tomada de Hadramout evidencia ainda as divergências crescentes entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Embora aliados próximos, os países passaram a atuar de forma menos alinhada no Iêmen. Enquanto a Riad defende a integridade territorial e busca proteger sua fronteira, os Emirados são apontados por analistas como interessados em ampliar sua influência ao longo da costa sul, área estratégica para o controle de rotas marítimas e portos regionais.

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