Reino Unido reage a vazamento do Pentágono e reafirma soberania sobre as Malvinas

Memorando sugere revisão do apoio americano às ilhas após falta de alinhamento britânico em guerra contra o Irã e amplia crise diplomática

O governo do Reino Unido afirmou nesta sexta-feira (24) que não abrirá mão da soberania sobre as Ilhas Malvinas, após o vazamento de um memorando interno do Pentágono que sugere uma possível revisão do apoio dos Estados Unidos à reivindicação britânica sobre o território. As informações são do The Guardian.

A reação oficial veio por meio de Downing Street, sede do governo britânico, que tratou de reforçar a posição histórica do país diante do episódio, que expôs um novo desgaste nas relações entre Londres e Washington.

O documento, revelado pela imprensa internacional, indica que integrantes do governo de Donald Trump avaliam medidas de pressão contra aliados europeus considerados pouco engajados na recente campanha militar liderada pelos EUA contra o Irã. Entre as possibilidades discutidas estaria a revisão do apoio a antigas “possessões imperiais” europeias, com menção direta às Malvinas.

Caças Typhoon FGR4 da RAF sobrevoam as Falklands durante missão de treinamento de rotina (Foto: WikiCommons)

“Não poderíamos ser mais claros. A soberania das Ilhas Malvinas pertence ao Reino Unido, e o direito à autodeterminação dos seus habitantes é fundamental”, declarou o porta-voz do primeiro-ministro Keir Starmer.

Tensão transatlântica

O vazamento ocorre em um momento particularmente sensível, às vésperas de uma visita de Estado do rei Charles III aos Estados Unidos, prevista para os próximos dias. A viagem, que já era cercada de cautela, ganha contornos ainda mais delicados diante do endurecimento do discurso político entre os dois países.

Nos bastidores, o memorando é interpretado como uma resposta à decisão britânica de não se envolver diretamente nos bombardeios contra o Irã, apesar de ter autorizado o uso de bases militares por aeronaves americanas em missões consideradas defensivas.

A postura foi criticada publicamente por Trump, que chegou a minimizar a capacidade militar britânica e demonstrar insatisfação com o nível de apoio recebido.

Guerra das Malvinas revival

O episódio reacende discussões sobre o status das Ilhas Malvinas, território ultramarino britânico reivindicado pela Argentina. A disputa remonta à Guerra das Malvinas, em 1982, quando Reino Unido e Argentina entraram em conflito armado pelo controle das ilhas.

O confronto durou 74 dias e deixou mais de 900 mortos. Desde então, não houve novos embates militares, mas a questão permanece sensível no cenário diplomático internacional.

Atualmente, a Argentina é governada por Javier Milei, aliado político de Trump, o que adiciona um novo componente geopolítico à disputa.

Pressão interna

O vazamento provocou reações imediatas no Reino Unido. Líderes políticos de diferentes espectros reforçaram a posição britânica sobre as ilhas.

A líder conservadora Kemi Badenoch classificou as Malvinas como “território britânico”, enquanto Nigel Farage afirmou que o status do arquipélago é “inegociável”.

Já Ed Davey, líder dos Liberal Democratas, defendeu o cancelamento da visita oficial do rei aos EUA, criticando duramente o comportamento do presidente americano.

Dependência militar em debate

Além da crise diplomática, o episódio também reacendeu discussões sobre a dependência militar britânica em relação aos Estados Unidos. Integrantes da Câmara dos Lordes apontaram que a relação bilateral vive seu momento mais tenso desde a Segunda Guerra Mundial.

George Robertson, presidente da Comissão de Relações Internacionais e Defesa, afirmou que o atual nível de dependência “não é mais sustentável”.

Apesar disso, o governo britânico tenta minimizar o impacto do vazamento. Downing Street afirmou que a parceria em segurança e defesa entre os dois países segue sólida.

Contexto internacional amplia pressão

O memorando também mencionaria possíveis sanções a outros países da Otan. A Espanha, por exemplo, foi citada por se recusar a autorizar o uso de seu território por forças americanas durante a operação militar contra o Irã.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu afirmando que o país segue comprometido com a aliança, mas sempre dentro dos limites do direito internacional.

Enquanto isso, o governo das Ilhas Malvinas reiterou confiança no apoio britânico e destacou o referendo de 2013, no qual a população votou massivamente pela permanência como território do Reino Unido.

Tags: