A possibilidade de uma retaliação do Irã contra os Estados Unidos voltou ao centro do debate internacional em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. Analistas alertam que uma resposta iraniana a uma eventual intervenção militar americana pode ser mais intensa e perigosa do que episódios anteriores, elevando o risco de um conflito regional de grandes proporções. As informações são da Newsweek.
O governo do presidente Donald Trump avalia opções para intervir no Irã, onde a instabilidade interna representa a maior ameaça ao regime em anos. Autoridades iranianas já alertaram que um ataque dos EUA poderia colocar em risco bases militares americanas espalhadas por toda a região, incluindo países estratégicos como Catar, Iraque, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Bases militares dos EUA no Oriente Médio em risco
Os Estados Unidos mantêm cerca de 40 mil soldados no Oriente Médio, distribuídos em mais de 60 bases militares e instalações avançadas. Entre elas está a Base Aérea de Al Udeid, no Catar, considerada a maior dos EUA na região e peça-chave nas operações do Comando Central americano (CENTCOM).
Especialistas afirmam que, diante de uma ameaça existencial ao regime iraniano, Teerã pode adotar uma postura menos contida do que no passado, ampliando o alcance de suas ações militares diretas ou indiretas contra alvos americanos.
Uso de milícias aliadas e ataques indiretos
Mesmo com capacidade militar inferior à dos Estados Unidos, o Irã dispõe de uma ampla rede de aliados regionais, conhecida como Eixo da Resistência. Esse grupo inclui milícias armadas no Iraque, na Síria e em outros países, capazes de atacar bases americanas de forma indireta e com margem para negação de responsabilidade direta por parte de Teerã.
Segundo analistas de segurança, esse tipo de ataque aumentaria a dificuldade de resposta imediata dos EUA e elevaria o risco de escalada prolongada do conflito.
Mísseis balísticos e ameaça ao Estreito de Ormuz
Outro cenário considerado provável envolve o uso de mísseis balísticos de curto e médio alcance contra bases militares americanas no Golfo. O Irã já utilizou essa estratégia em respostas anteriores, demonstrando capacidade de atingir alvos estratégicos na região.
Além disso, Teerã poderia ameaçar ou interromper o tráfego no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo e gás. Embora seja vista como uma medida extrema, essa ação teria impactos diretos nos preços da energia e na economia global.
Ciberataques e ações assimétricas
Especialistas também apontam para a possibilidade de ataques cibernéticos contra interesses americanos e de seus aliados. Infraestruturas críticas, sistemas financeiros e redes governamentais podem se tornar alvos em um cenário de confronto indireto.
Além disso, o Irã poderia recorrer a operações encobertas fora do Oriente Médio, atingindo interesses diplomáticos, econômicos ou comunitários ligados aos Estados Unidos e a Israel.
Risco de escalada e impacto global
Analistas alertam que qualquer ação militar direta dos EUA quase certamente provocaria uma resposta iraniana. A ausência de retaliação poderia ser interpretada internamente como fraqueza do regime, especialmente em um contexto de protestos e instabilidade doméstica.
O impacto de uma escalada entre Irã e Estados Unidos é considerado altamente imprevisível, podendo envolver desde ataques limitados até um conflito regional mais amplo, com reflexos diretos na segurança internacional, nos mercados de energia e na estabilidade do Oriente Médio.
Caos
A atual mobilização de protestos na República Islâmica foi desencadeada pelo colapso da moeda iraniana e pelo aumento do custo de vida, mas especialistas apontam que as causas são mais profundas. Entre os principais fatores estão as imposições religiosas do regime, como o uso obrigatório do hijab, a corrupção e a má gestão econômica sob sanções internacionais, além do elevado investimento estatal em grupos armados aliados no Oriente Médio.
A crise hídrica também agrava o cenário. Autoridades iranianas afirmam que cerca de dois terços dos reservatórios do país estão vazios, reflexo de políticas centralizadas de gestão da água e de longos períodos de seca.