A Coreia do Sul começou a implantar o míssil balístico Hyunmoo-5, apelidado de “míssil monstro” devido ao seu tamanho e poder destrutivo, como parte de sua estratégia de defesa frente ao desenvolvimento nuclear da Coreia do Norte. A informação foi divulgada pela agência sul-coreana Yonhap, com base em fontes militares, e publicada pela revista Newsweek nesta segunda-feira (19).
Segundo o relatório, a implantação do Hyunmoo-5 teve início no final de 2025 e deve ser concluída até 2030, último ano do mandato do presidente sul-coreano Lee Jae Myung. O míssil integra o chamado sistema de três eixos, estratégia militar de Seul voltada à detecção preventiva, neutralização de ameaças e retaliação contra eventuais ataques nucleares ou de mísseis vindos do Norte.

A medida ocorre em um contexto de crescente tensão na Península Coreana. Apesar das sanções internacionais, a Coreia do Norte segue ampliando seu arsenal nuclear e realizando testes de novas armas. O líder norte-coreano, Kim Jong-un, já afirmou que pretende fortalecer o que chama de “escudo e espada nucleares” como forma de contrabalançar a aliança entre Estados Unidos e Coreia do Sul, protegida pelo regime de dissuasão nuclear ampliada de Washington.
Com cerca de 20 metros de comprimento, o Hyunmoo-5 transporta uma ogiva convencional de aproximadamente oito toneladas, projetada para destruir bunkers subterrâneos que poderiam abrigar mísseis e a liderança militar norte-coreana. Autoridades sul-coreanas descrevem a arma como capaz de realizar ataques de “ultraprecisão e ultra-alta potência”.
A Coreia do Sul planeja implantar até centenas de mísseis avançados, incluindo o Hyunmoo-5 e suas variantes modernizadas. O país, no entanto, é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e, por isso, está proibido de possuir armas nucleares.
Em entrevista à Yonhap em outubro passado, o ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu-back, afirmou que a posse de “um número considerável” desses mísseis poderia criar o que ele definiu como “um equilíbrio de terror” diante da ameaça representada pela Coreia do Norte. Já em outubro de 2025, o ministro declarou que “a produção em massa [do míssil balístico Hyunmoo-5] começou e medidas estão sendo buscadas para aumentar significativamente a produção”.
O analista militar Joseph Dempsey, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, destacou que o armamento chama atenção por sua ogiva de grandes proporções. Em artigo publicado em outubro de 2024, ele avaliou que “a ogiva de 8 toneladas do Hyunmoo-5 provavelmente não consiste apenas de explosivos de alta potência e pode incluir um precursor penetrador de metal denso ou cargas em tandem para aumentar a penetração e os danos ao alvo”.
Dempsey também observou que, embora não haja indícios de que Seul busque desenvolver mísseis balísticos de longo alcance, a evolução contínua de seu programa evidencia uma capacidade crescente de lidar com ameaças regionais mais amplas.
Especialistas avaliam que a continuidade da corrida armamentista na Península Coreana pode provocar reações em cadeia. Países vizinhos, como Japão e China, tendem a reforçar seus próprios arsenais militares caso a escalada de tensões entre as duas Coreias se intensifique nos próximos anos.