O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou que a segunda rodada de negociações trilaterais sobre o fim da guerra na Ucrânia foi adiada para a próxima quarta-feira (4). As conversas envolvem representantes de Kiev, da Rússia e dos Estados Unidos e serão realizadas em Abu Dhabi. As informações são do The Moscow Times.
Segundo Zelensky, as reuniões acontecerão nos dias 4 e 5 de fevereiro, mas o líder ucraniano não apresentou justificativa para o adiamento. Nem o Kremlin nem a Casa Branca confirmaram oficialmente as novas datas até o momento.

O anúncio ocorre um dia após um enviado de alto escalão do presidente russo, Vladimir Putin, realizar conversas surpresa com autoridades americanas na Flórida, sem a participação de Kiev, o que gerou críticas por parte do governo ucraniano.
Os Estados Unidos afirmam estar próximos de intermediar um acordo para encerrar o conflito, considerado o mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, as negociações seguem travadas pela questão territorial, especialmente em relação às áreas ocupadas pela Rússia no leste da Ucrânia.
Atualmente, Moscou controla cerca de 20% do território ucraniano e pressiona para obter domínio total da região de Donetsk como condição para qualquer acordo de paz. Kiev rejeita a proposta e afirma que ceder território abriria caminho para novas invasões no futuro.
Enquanto as negociações avançam lentamente, ataques russos continuam sendo registrados. Um drone atingiu um ônibus que transportava trabalhadores de uma mina na região de Dnipropetrovsk, matando ao menos 12 pessoas. Zelensky classificou o ataque como um crime e afirmou que a Rússia não demonstra interesse real em encerrar a guerra.
Outros bombardeios atingiram áreas civis, incluindo uma maternidade em Zaporizhzhia, deixando feridos. Os ataques ocorreram no mesmo período em que o Kremlin anunciou o fim de uma suposta redução temporária nos bombardeios, atribuída a um acordo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A guerra na Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, quando a Rússia lançou uma ofensiva militar sob a alegação de impedir a expansão da Otan. Desde então, o conflito deixou cidades destruídas, milhões de deslocados e dezenas de milhares de mortos entre civis e militares.