O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que empresas russas estão sendo forçadas a deixar a Venezuela após a prisão do presidente Nicolás Maduro pelas forças americanas, ocorrida no mês passado. Segundo ele, a medida teria sido motivada por pressão direta dos Estados Unidos. As informações são do The Moscow Times.
“Neste momento, na sequência dos acontecimentos na Venezuela, as nossas empresas estão sendo abertamente forçadas a sair do país”, declarou Lavrov em entrevista à emissora RT, apoiada pelo Kremlin. O chanceler não citou quais companhias estariam envolvidas.

Lavrov afirmou ainda que as ações estariam sendo tomadas a pedido de Washington, mas não apresentou detalhes adicionais. Ele também mencionou que os Estados Unidos impuseram sanções às empresas russas Lukoil e Rosneft, além de ameaçarem aplicar tarifas a países que adquiram produtos energéticos da Rússia, mesmo em meio às negociações para encerrar a guerra na Ucrânia.
Antes disso, a Roszarubezhneft, empresa estatal responsável pela gestão dos ativos russos na Venezuela, havia informado que seguiria cumprindo suas obrigações no país e que pretendia desenvolver projetos em parceria com empresas venezuelanas após a chegada de Maduro ao poder.
A companhia afirmou que todos os seus ativos na Venezuela pertencem à Rússia, foram adquiridos em condições de mercado e estão em conformidade com a legislação local. A Roszarubezhneft mantém joint ventures com a estatal Petróleos da Venezuela S.A. (PDVSA).
Rússia e Venezuela assinaram um acordo de parceria estratégica em maio de 2025. Na ocasião, cinco joint ventures com participação russa operavam no país, segundo informou o embaixador venezuelano em Moscou, Jesús Rafael Salazar Velázquez.
Dados da empresa de análise Kpler indicam que a Rússia ultrapassou os Estados Unidos e se tornou, até o final de 2025, o principal fornecedor de nafta para a indústria petroquímica venezuelana.
Maduro e sua esposa foram presos pelas forças americanas nas primeiras horas do dia 3 de janeiro e levados aos Estados Unidos, onde enfrentam acusações relacionadas ao tráfico de drogas.
Desde então, o presidente Donald Trump tem pressionado empresas petrolíferas americanas a investirem cerca de 100 bilhões de dólares na reconstrução do setor energético venezuelano. Na semana passada, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, sancionou uma lei que abre o setor energético do país à privatização, inclusive para empresas dos Estados Unidos, em meio à flexibilização de algumas sanções impostas ao petróleo venezuelano.