A Nigéria emitiu um alerta oficial a seus cidadãos após a divulgação de denúncias sobre golpes de recrutamento ligados ao Exército russo. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, há “casos crescentes e alarmantes” de nigerianos sendo recrutados ilegalmente para participar de conflitos armados no exterior. As informações são do The Moscow Times.
Embora o comunicado não mencione diretamente a Rússia, um relatório do coletivo investigativo All Eyes on Wagner aponta que pelo menos 36 nigerianos foram aliciados para lutar na guerra na Ucrânia. De acordo com o levantamento, cinco teriam morrido em combate.

O governo nigeriano afirma que as vítimas foram enganadas com falsas promessas e coagidas a assinar contratos de serviço militar antes de serem enviadas a zonas de combate. O alerta reforça que cidadãos devem desconfiar de propostas de trabalho no exterior que envolvam recrutamento militar ou atividades ligadas a conflitos armados.
Relatos semelhantes também surgiram no Quênia. Uma investigação da AFP reuniu depoimentos de quenianos que disseram ter recebido promessas de empregos bem remunerados na Rússia. Ao chegarem ao país, foram obrigados a assinar contratos redigidos em alfabeto cirílico, que não compreendiam, e posteriormente enviados à linha de frente na Ucrânia.
A preocupação se espalha por outros países africanos. O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, afirmou ter discutido com o presidente russo, Vladimir Putin, o retorno de sul-africanos recrutados para atuar ao lado da Rússia no conflito.
Em novembro, autoridades ucranianas declararam ter identificado ao menos 1.436 pessoas de 36 países africanos lutando em nome da Rússia. O episódio levanta preocupações sobre redes internacionais de aliciamento e possíveis violações de direitos humanos.
Especialistas apontam que o uso de promessas de emprego, contratos em idioma estrangeiro e falta de informação clara são estratégias comuns em esquemas de recrutamento irregular para zonas de guerra.