88 países assinam acordo global de IA — mas evitam regras obrigatórias de segurança

Declaração assinada em Nova Délhi reconhece a importância da segurança, mas prioriza democratização e adoção em larga escala da inteligência artificial

A quarta cúpula global de inteligência artificial (IA), realizada em Nova Délhi, na Índia, terminou com uma declaração assinada por 88 países e regiões que evita compromissos vinculantes sobre segurança da IA e reforça a agenda de democratização da tecnologia. As informações são do Politico.

O documento foi endossado por Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Rússia, consolidando uma vitória diplomática para o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. A proposta indiana enfatiza a ampliação do acesso a recursos de IA e a adoção em larga escala dos sistemas tecnológicos.

ChatGPT, uma inteligência artificial de linguagem natural desenvolvida pela OpenAI (Foto: Pexels/Divulgação)

Embora o texto reconheça “a importância da segurança nos sistemas de IA”, não estabelece medidas obrigatórias para mitigar riscos ou padronizar controles globais. A ausência de dispositivos vinculantes sinaliza uma mudança de foco em relação à primeira cúpula, realizada no Reino Unido em 2023, que priorizou o debate sobre riscos e governança.

Nem Estados Unidos nem China enviaram seus chefes de Estado ao encontro. O presidente norte-americano, Donald Trump, não participou do evento, assim como o líder chinês. O secretário-geral da ONU, António Guterres, marcou presença e defendeu que o futuro da IA não seja decidido por “alguns bilionários”.

Outro ponto central da declaração foi o incentivo à inteligência artificial de código aberto, defendida como caminho para escalabilidade, replicabilidade e adaptação dos sistemas em diferentes setores econômicos.

Especialistas avaliam que o texto reflete um cenário global de competição tecnológica, no qual países buscam acelerar inovação e competitividade, ainda que sem consenso sobre regras globais rígidas de segurança.

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