Após o ataque israelense de setembro de 2024 que destruiu milhares de pagers do Hezbollah, o governo da Hungria, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, ofereceu assistência ao Irã, principal patrocinador do grupo. A revelação surge de uma transcrição de ligação entre o ministro das Relações Exteriores húngaro, Peter Szijjarto, e o homólogo iraniano Abbas Araghchi, e levanta dúvidas sobre os alinhamentos internacionais de Orbán, enquanto a Casa Branca apoia sua campanha de reeleição. As informações são do Washington Post.
Logo após o ataque no Líbano, que deixou 12 mortos e cerca de 2,8 mil feridos, Szijjarto informou Araghchi que os serviços de inteligência da Hungria já haviam entrado em contato com os iranianos e que todos os documentos disponíveis seriam compartilhados. A Hungria negou envolvimento direto no ataque, ressaltando que os pagers não foram fabricados no país.

A ligação, contudo, gerou preocupações sobre a política externa de Orbán, principalmente por ocorrer em um momento de tensão entre EUA e Irã. Ao mesmo tempo, Orbán mantém apoio declarado a Israel, diverge de outros países europeus em votações na ONU e se alinhou ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu em abril de 2025, quando anunciou a retirada da Hungria do Tribunal Penal Internacional (TPI).
A aproximação com Teerã ocorre em paralelo ao apoio da Casa Branca à campanha de Orbán, que enfrenta dificuldades eleitorais contra o rival de centro-direita Peter Magyar. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, visitou Budapeste poucos dias antes da eleição, reforçando o suporte à candidatura do premiê húngaro.
A revelação da transcrição coincide com outras denúncias de laços estreitos entre o governo húngaro e Moscou, incluindo ligações regulares de Szijjarto com o ministro russo Sergei Lavrov, coordenando esforços para contornar sanções da União Europeia (UE). Especialistas destacam que a combinação de relações com Rússia e Irã pode gerar contradições no posicionamento internacional da Hungria, especialmente frente ao seu histórico de apoio a Israel.