A crise ambiental em Nova Irlanda, no leste da Papua-Nova Guiné, vem provocando medo, insegurança alimentar e preocupação internacional após milhares de animais marinhos aparecerem mortos ao longo da costa nos últimos meses. As informações são do The Guardian.
O governo nacional emitiu um alerta para que moradores evitem pescar e consumir frutos do mar em áreas afetadas depois que testes preliminares detectaram a presença de metais em amostras de água coletadas na região de Kafkaf e da lagoa de Larairu.
A situação começou a chamar atenção em dezembro de 2025, quando moradores passaram a relatar um número incomum de peixes mortos nas praias. Desde então, o problema se agravou rapidamente.

Comunidades locais afirmam ter encontrado peixes de recife mortos com olhos inchados, pele deteriorada e carne descolorida. Além disso, moradores relataram forte cheiro de enxofre na água do mar, especialmente durante a maré baixa.
A organização ambiental Ailan Awareness estima que mais de 1.250 pessoas em ao menos 11 aldeias tenham sido afetadas por doenças ou possível contaminação de água e alimentos.
O ambientalista John Aini afirmou que a região enfrenta uma grave perturbação ecológica, com impactos diretos sobre recifes e biodiversidade marinha.
Segundo levantamento da entidade, mais de 3.400 organismos marinhos mortos, de pelo menos 15 espécies diferentes, foram registrados durante uma avaliação costeira realizada em março.
A crise também afeta diretamente a economia local. Em muitas aldeias, a pesca é a principal fonte de renda e alimentação das famílias.
“Estamos sofrendo porque o mar é o nosso supermercado e o nosso jardim”, declarou a líder comunitária Martha Piwas à imprensa local.
Moradores relatam aumento da insegurança alimentar e medo constante de consumir peixes contaminados.
O ministro das Pescas, Jelta Wong, afirmou que novas investigações estão em andamento para identificar a origem das substâncias metálicas encontradas na água.
As análises envolvem cientistas independentes, órgãos nacionais e laboratórios internacionais. Até o momento, as autoridades ainda não confirmaram a causa da contaminação.