A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou que os centros de golpes online se tornaram uma das modalidades de tráfico humano que mais crescem no mundo. Segundo a agência da ONU, vítimas de mais de 80 países são atraídas por falsas ofertas de emprego divulgadas nas redes sociais e acabam sendo forçadas a participar de atividades criminosas. As informações são da Anadolu.
O alerta foi feito pela diretora-geral da OIM, Amy Pope, durante entrevista a jornalistas em Genebra, antes do Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas. De acordo com ela, organizações criminosas estão ampliando o recrutamento de profissionais qualificados por meio de anúncios fraudulentos que prometem empregos legítimos.
Há casos de ações da máfia digital principalmente em zonas econômicas especiais e áreas fronteiriças, especialmente no Camboja, Laos, Mianmar e Filipinas. Com o aumento da repressão policial, elas estão se deslocando para zonas mais remotas e inacessíveis, incluindo áreas controladas por grupos armados não estatais.

Como funcionam os centros de golpes online
Segundo Amy Pope, os criminosos apresentam as vagas como oportunidades de trabalho comuns. Muitas das vítimas possuem ensino superior e falam inglês fluentemente, características que as tornam atraentes para os esquemas de fraude digital.
Ao chegarem aos locais de trabalho, porém, as vítimas frequentemente têm seus passaportes confiscados, são submetidas a abusos físicos e psicológicos e ficam impedidas de deixar as instalações.
A diretora da OIM classificou os centros de golpes online como operações altamente organizadas e extremamente lucrativas. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) indicam que as perdas globais causadas por golpes virtuais alcançaram entre US$ 88 bilhões e US$ 114 bilhões em 2025.
Milhares de vítimas retornam traumatizadas
A OIM informou ter prestado assistência a mais de 3.500 sobreviventes provenientes de 33 países. Muitos retornam para casa profundamente traumatizados, endividados e sem recursos financeiros após passarem meses ou até anos em situação de exploração.
Amy Pope destacou que diversas vítimas ainda enfrentam outro problema após o resgate: acabam sendo tratadas como criminosas pelas autoridades, apesar de terem sido forçadas a participar dos esquemas.
Segundo a dirigente, a resposta ao problema exige maior cooperação internacional, campanhas de conscientização e ações coordenadas para combater as redes criminosas responsáveis pelo tráfico humano ligado aos centros de golpes online.