Tráfico humano digital: 300 mil pessoas trabalham em centros de golpes, diz ONU

Organização Internacional para as Migrações afirma que vítimas de mais de 80 países são atraídas por falsas ofertas de emprego e acabam exploradas em centros de golpes online que movimentam bilhões de dólares por ano

A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou que os centros de golpes online se tornaram uma das modalidades de tráfico humano que mais crescem no mundo. Segundo a agência da ONU, vítimas de mais de 80 países são atraídas por falsas ofertas de emprego divulgadas nas redes sociais e acabam sendo forçadas a participar de atividades criminosas. As informações são da Anadolu.

O alerta foi feito pela diretora-geral da OIM, Amy Pope, durante entrevista a jornalistas em Genebra, antes do Dia Mundial de Combate ao Tráfico de Pessoas. De acordo com ela, organizações criminosas estão ampliando o recrutamento de profissionais qualificados por meio de anúncios fraudulentos que prometem empregos legítimos.

Há casos de ações da máfia digital principalmente em zonas econômicas especiais e áreas fronteiriças, especialmente no CambojaLaosMianmar Filipinas. Com o aumento da repressão policial, elas estão se deslocando para zonas mais remotas e inacessíveis, incluindo áreas controladas por grupos armados não estatais.

Centro de golpes online operado por uma organização criminosa é alvo de uma operação policial em Manila, nas Filipinas, em 2024 (Foto: WikiCommons)
Como funcionam os centros de golpes online

Segundo Amy Pope, os criminosos apresentam as vagas como oportunidades de trabalho comuns. Muitas das vítimas possuem ensino superior e falam inglês fluentemente, características que as tornam atraentes para os esquemas de fraude digital.

Ao chegarem aos locais de trabalho, porém, as vítimas frequentemente têm seus passaportes confiscados, são submetidas a abusos físicos e psicológicos e ficam impedidas de deixar as instalações.

A diretora da OIM classificou os centros de golpes online como operações altamente organizadas e extremamente lucrativas. Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) indicam que as perdas globais causadas por golpes virtuais alcançaram entre US$ 88 bilhões e US$ 114 bilhões em 2025.

Milhares de vítimas retornam traumatizadas

A OIM informou ter prestado assistência a mais de 3.500 sobreviventes provenientes de 33 países. Muitos retornam para casa profundamente traumatizados, endividados e sem recursos financeiros após passarem meses ou até anos em situação de exploração.

Amy Pope destacou que diversas vítimas ainda enfrentam outro problema após o resgate: acabam sendo tratadas como criminosas pelas autoridades, apesar de terem sido forçadas a participar dos esquemas.

Segundo a dirigente, a resposta ao problema exige maior cooperação internacional, campanhas de conscientização e ações coordenadas para combater as redes criminosas responsáveis pelo tráfico humano ligado aos centros de golpes online.

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