Coreia do Sul está construindo uma nova rota estratégica para minerais da Ásia Central

Primeira cúpula entre Seul e os cinco países da região resultou em mais de 70 acordos nas áreas de mineração, energia, infraestrutura, tecnologia e investimentos

A Coreia do Sul iniciou uma nova etapa de aproximação com a Ásia Central nesta quarta-feira (16), ao reunir em Seul os líderes do Cazaquistão, Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão para a primeira cúpula multilateral entre o país e as cinco nações da região. As informações são da Reuters.

O encontro colocou os minerais críticos, a energia e a segurança das cadeias de suprimentos no centro da estratégia sul-coreana para ampliar sua presença em uma região que concentra importantes reservas de recursos naturais. A cúpula encerrou três dias de reuniões bilaterais que resultaram em mais de 70 acordos e memorandos de entendimento em setores como mineração, energia, infraestrutura, tecnologia e investimentos.

Mina de urânio de Inkai, no Cazaquistão. O país da Ásia Central está entre os principais fornecedores de urânio do mercado global (Foto: WikiCommons)

Durante um fórum empresarial realizado após a cúpula, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung afirmou que Seul pretende avançar além da simples importação de matérias-primas e participar de etapas mais amplas das cadeias produtivas.

“Além do simples comércio de matérias-primas, devemos fortalecer a cooperação em toda a cadeia de valor dos minerais críticos, desde a exploração e o refino até o processamento de materiais de alto valor agregado e a fabricação de produtos acabados”, disse Lee.

A estratégia inclui a criação de centros de metais raros liderados pela Coreia do Sul na Ásia Central. Segundo Lee, essas estruturas deverão apoiar pesquisas conjuntas e a formação de mão de obra especializada.

A movimentação ocorre em um momento em que Seul busca reduzir a concentração de suas fontes de recursos estratégicos. A Coreia do Sul possui poucos recursos naturais próprios e depende de fornecedores externos para setores importantes de sua economia, incluindo petróleo, urânio e minerais utilizados pela indústria tecnológica.

O Cazaquistão ocupa posição central nessa estratégia. Durante a semana, os dois países assinaram acordos envolvendo energia nuclear, petróleo bruto e minerais críticos e elevaram suas relações ao nível de parceria estratégica abrangente.

Os demais países participantes também firmaram acordos com Seul. Os documentos assinados com Uzbequistão, Turcomenistão, Quirguistão e Tadjiquistão abrangem minerais estratégicos, energia, infraestrutura, comércio, investimentos e tecnologias digitais.

A aproximação também envolve empresas sul-coreanas. No fórum empresarial, o presidente do Grupo SK, Chey Tae-won, defendeu uma expansão da cooperação em minerais críticos para além da etapa de exploração.

“Vamos expandir a cooperação em minerais críticos para além do simples desenvolvimento, abrangendo toda a cadeia de suprimentos, do refino à produção de materiais”, afirmou.

Chey também defendeu maior cooperação em energias renováveis e energia nuclear.

A cúpula estabeleceu ainda um mecanismo para encontros de líderes a cada dois anos. O Cazaquistão sediará a próxima reunião, em Astana, em 2028.

A iniciativa amplia uma política de aproximação que Seul vem desenvolvendo desde 2017, quando lançou a chamada Nova Política do Norte. O objetivo declarado é fortalecer os vínculos econômicos com a Ásia Central e outros parceiros da Eurásia, diversificar o acesso a energia e minerais estratégicos e abrir novos mercados para empresas sul-coreanas.

Tags: