Indonésia demole 10 unidades de luxo construídas dentro de prisão

Instalações semelhantes a apartamentos foram encontradas durante inspeção surpresa e seriam usadas por detentos. Cinco funcionários foram suspensos enquanto autoridades investigam possíveis privilégios e pagamentos

As autoridades da Indonésia começaram nesta quarta-feira (30) a demolir 10 unidades habitacionais com estrutura semelhante à de apartamentos construídas dentro da prisão Cibinong Classe IIA, em Bogor, na província de Java Ocidental. As instalações foram descobertas durante uma inspeção surpresa do Provedor de Justiça local e passaram a ser alvo de uma investigação sobre possíveis privilégios concedidos a detentos. As informações são da Anadolu.

A demolição foi acompanhada pelo diretor-geral do sistema penitenciário, Mashudi. Segundo a agência estatal de notícias Antara, ele afirmou que todas as 10 unidades seriam demolidas ainda nesta quarta-feira.

“Todas as 10 unidades. Tudo estará terminado hoje”, disse Mashudi enquanto máquinas pesadas trabalhavam na área do complexo penitenciário.

Prisão (Foto: Ye Jinghan/Unsplash)

A decisão ocorreu depois de uma visita da Comissão XIII da Câmara dos Representantes e do Ministério da Imigração e Correções à prisão. O Ministério determinou a demolição após as autoridades analisarem as instalações encontradas durante a inspeção.

O inspetor-geral do Ministério, Rudi Setiawan, afirmou que os edifícios e os equipamentos existentes foram documentados e inventariados antes do início da demolição.

Uma investigação preliminar indicou que as construções não foram financiadas pelo orçamento do Estado indonésio. As autoridades ainda investigam quem financiou e construiu as unidades e como elas passaram a ser utilizadas dentro do complexo penitenciário.

O caso veio à tona em 23 de setembro, quando uma equipe do Provedor de Justiça realizou uma inspeção surpresa na prisão. Os investigadores encontraram uma área separada dos blocos convencionais de detenção, com mais de 10 unidades que apresentavam características de apartamentos.

Segundo o Provedor de Justiça, os espaços tinham quartos, salas de estar e cozinhas, além de ar-condicionado, televisores de tela grande, geladeiras, sofás e áreas para refeições. Também foram encontrados um ginásio e um simulador de golfe em construção.

As autoridades ainda não divulgaram a identidade de todos os detentos que teriam utilizado as instalações. O Provedor de Justiça informou que encontrou pessoas suspeitas de serem detentos vivendo separadamente dos demais presos e iniciou uma investigação para determinar quem ocupava os espaços e há quanto tempo eles existiam.

A investigação também apura se houve pagamentos para garantir acesso às acomodações e aos equipamentos. Segundo informações divulgadas por autoridades indonésias, há suspeitas de que determinados presos tenham recebido tratamento diferenciado em relação à população carcerária comum.

Cinco funcionários do sistema penitenciário foram suspensos enquanto a apuração prossegue. Entre eles está Wisnu Hani Putranto, diretor da prisão de Cibinong.

A descoberta também levantou questionamentos sobre a fiscalização dentro do complexo. Durante a inspeção de 23 de setembro, integrantes do Provedor de Justiça relataram que inicialmente foram impedidos de acessar determinadas áreas da prisão. A equipe conseguiu entrar depois de um confronto com funcionários responsáveis pela segurança.

O episódio ocorre em um país que já enfrenta denúncias relacionadas a corrupção, abusos e tratamento desigual dentro de instituições públicas. A Referência já registrou acusações de intimidação contra opositores e ativistas na Indonésia, em um contexto de críticas às instituições e às forças de segurança do país.

O Ministério da Imigração e Correções informou que continuará investigando as circunstâncias envolvendo as unidades. As autoridades precisam determinar quem ocupava os espaços, como eles foram construídos, quem autorizou sua utilização e se houve pagamento ou outra forma de benefício em troca do acesso.

O caso também levou parlamentares indonésios a cobrar esclarecimentos do governo. A Comissão XIII da Câmara dos Representantes convocou representantes do Provedor de Justiça, da Direção-Geral de Correções e da administração da prisão para explicar as diferentes versões sobre a origem e a utilização das instalações.

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