Al-Shabaab reivindica ataque suicida que matou ao menos nove na Somália

Carro-bomba explodiu perto do aeroporto de Mogadíscio, atingindo um comboio que levava autoridades locais e estrangeiras
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A explosão de um carro-bomba perto do aeroporto de Mogadíscio, capital da Somália, matou ao menos nove pessoas na quarta-feira (12). O alvo do atentado suicida era um comboio que conduzia autoridades locais e estrangeiras e que, no momento da explosão, se aproximava de um posto de checagem de segurança, de acordo com a rede Voice of America (VOA).

“Uma explosão ensurdecedora e enorme enviou nuvens de fumaça para o céu e destruiu prédios próximos e carros estacionados ao longo da estrada”, disse Aden Nur, motorista de um táxi que presenciou o ataque.

O vice-prefeito de Mogadíscio, Ali Yare Ali, que estava no comboio, afirmou que o número de mortos é de dez pessoas, e não nove. Ao menos nove pessoas ficaram feridas na ação, cuja autoria foi assumida pelo grupo extremista Al-Shabaab. O alvo, segundo os jihadistas, seria um comboio transportando funcionários do governo e autoridades estrangeiras em visita ao país.

O Al-Shabaab, que é uma facção da Al-Qaeda, habitualmente empreende ataques contra funcionários estatais em seu esforço para derrubar o governo central e impor sua interpretação radical da Sharia, a lei islâmica.

Explosão de carro- bomba em Mogadíscio, Somália, janeiro de 2022 (Foto: reprodução/Twitter)

Por que isso importa?

O Al-Shabbab chegou a controlar a capital Mogadíscio até 2011, quando foi expulso de lá pelas forças da União Africana. Atualmente, controla territórios nas áreas rurais da Somália e luta para derrubar o governo nacional.

O grupo concentra seus ataques no sul e no centro do país. As atividades envolvem ataques a órgãos e oficiais do governo e a entidades de ajuda humanitária, além de extorsão contra a população local e proteção de terroristas internacionais que se escondem no país.

Dados apontam que os extremistas estiveram em mais de 400 episódios violentos no país entre julho e setembro do ano passado – o maior número desde 2018.

O confronto, porém, atualmente pende para o lado do exército. O objetivo dos militares é reconquistar territórios vitais para a economia do país, numa ofensiva comandada pelo general Odowaa Yusuf Rageh. Em determinadas missões, ele faz questão de liderar pessoalmente os militares. 

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um porto seguro para extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

Mais recentemente, em dezembro de 2021, três cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras importantes do grupo terrorista.

Para o tenente-coronel do Exército Brasileiro André Soares, ex-agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o anúncio do Tesouro causa “preocupação enorme”, vez que confirma a presença do país no mapa das organizações terroristas islâmicas.

“A possibilidade de atentados terroristas em solo brasileiro, perpetrados não apenas por grupos extremistas islâmicos, mas também pelo terrorismo internacional, é real”, diz Soares, mestre em operações militares e autor do livro “Ex-Agente Abre a Caixa-Preta da Abin” (editora Escrituras). “O Estado e a sociedade brasileira estão completamente vulneráveis a atentados terroristas internacionais e inclusive domésticos, exatamente em razão da total disfuncionalidade e do colapso da atual estrutura de Inteligência de Estado vigente no país”. Saiba mais.

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