Aliados de Trump contestam relatos sobre ataques a sobreviventes de barco na Venezuela

Reportagem de jornal dos EUA aponta que o secretário de Defesa Pete Hegseth teria ordenado um segundo ataque contra sobreviventes. Governo e aliados negam

Aliados do presidente Donald Trump reagiram neste domingo (30) a uma reportagem do jornal Washington Post que afirma que o secretário de Defesa, Pete Hegseth, ordenou ataques adicionais contra sobreviventes de embarcações suspeitas de tráfico de drogas vindas da Venezuela. As acusações surgem em meio ao aumento da presença militar dos Estados Unidos na região, enquanto o governo pressiona Nicolás Maduro. As informações são do Axios.

O Washington Post informou que, em setembro, Hegseth teria ordenado um segundo ataque para eliminar sobreviventes de um barco já atingido pela operação norte-americana. O secretário rejeitou as alegações em publicação na rede X, classificando-as como “fabricadas, inflamatórias e depreciativas”. A CNN também reportou a suposta ordem no sábado (29).

Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth (Foto: U.S. Secretary of War/Flickr)

O senador Markwayne Mullin (republicano de Oklahoma) refutou o conteúdo da reportagem durante o programa State of the Union, da CNN, afirmando que as informações são anônimas e não verificadas. Segundo ele, as forças norte-americanas já resgataram sobreviventes em outras ações. “O presidente Trump está protegendo os Estados Unidos sendo proativo”, afirmou.

Na Câmara, o presidente do Comitê de Serviços Armados, Mike Rogers (republicano do Alabama), e o membro de maior hierarquia, Adam Smith (democrata de Washington), divulgaram uma nota conjunta garantindo “supervisão rigorosa” das operações militares no Caribe. Eles afirmaram estar tomando medidas bipartidárias para obter um relato completo sobre a operação citada.

Uma reunião informativa no Congresso sobre as ações militares no período da suposta ordem foi cancelada abruptamente, e o almirante responsável pela região do Caribe e da América do Sul renunciou ao cargo em outubro. A procuradora-geral Pam Bondi também evitou comentar um memorando que oferece justificativa legal para os ataques, mas afirmou: “Os traficantes de drogas venezuelanos precisam agir com muita cautela.”

O senador Mark Kelly (democrata do Arizona), ex-capitão da Marinha, disse que, se confirmada, a ordem de atacar sobreviventes “parece” configurar crime de guerra. Ele destacou que os militares dos EUA têm um padrão rigoroso de conduta. Kelly, que participou de um vídeo orientando militares a não cumprirem ordens ilegais, está sendo investigado pelas Forças Armadas. “Não vou recuar. Eles não me intimidam”, afirmou.

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