Após prisão de Maduro, EUA pressionam México a cortar petróleo para Cuba

Parlamentares americanos e analistas alertam que o fornecimento de petróleo mexicano sustenta o regime de Díaz-Canel; negociações do USMCA podem ser decisivas

O governo dos Estados Unidos intensifica a pressão sobre o México em relação ao fornecimento de petróleo para Cuba. Com a prisão do líder venezuelano Nicolás Maduro em Nova York, parlamentares e analistas americanos voltam os olhos para o México, que passou a ocupar discretamente o papel da Venezuela como principal fornecedor da ilha caribenha. As informações são da Fox News.

Em janeiro, o México fornecia cerca de 13 mil barris de petróleo por dia, representando 44% das importações de Cuba em 2025. Esse suprimento é considerado crucial para manter a economia cubana, descrita por alguns parlamentares como “à beira do colapso”. Com a retomada das negociações do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA) prevista para julho, republicanos e especialistas conservadores pressionam o governo mexicano a interromper o envio de petróleo.

Plataforma no Golfo do México (Foto: WikiCommons)

Segundo o Politico, o governo Trump avalia até mesmo a possibilidade de um bloqueio marítimo às importações de petróleo cubano, uma medida que poderia acelerar o colapso do regime de Díaz-Canel.

O deputado Carlos Gimenez, republicano da Flórida e único membro do Congresso nascido em Cuba, afirmou à reportagem: “O governo cubano já estava, mesmo antes dessa ação contra Maduro, provavelmente no ponto mais frágil dos últimos 65 anos. O petróleo que recebiam da Venezuela está sendo substituído pelo fornecido pelo México.”

Gimenez reforçou que o Congresso poderia usar as próximas negociações do USMCA para pressionar a presidente mexicana Claudia Sheinbaum a interromper o apoio ao regime cubano, localizado a apenas 145 km do extremo sul de seu distrito.

Cuba já enfrenta apagões frequentes, escassez de alimentos e medicamentos, além de queda no turismo, fatores que agravam a instabilidade econômica, segundo o parlamentar.

Andrés Martínez-Fernández, analista da Heritage Foundation, alerta que a tolerância dos EUA à nova posição do México pode não durar. Segundo ele, o programa de médicos cubanos enviados ao México envolve grande parte das receitas sendo direcionadas ao regime, configurando o que chamou de “escravidão forçada para obtenção de receita”.

Trump reforçou recentemente sua posição: “Não haverá mais petróleo nem dinheiro indo para Cuba. Zero”. A Casa Branca afirma que Cuba sofre por decisões próprias e que a ilha perdeu apoio com a queda de Maduro.

Especialistas ressaltam que, mesmo sem o papel do México, o regime de Díaz-Canel enfrenta um dos momentos mais críticos de sua história. Muitos defensores da democracia, especialmente na diáspora do sul da Flórida, esperam que o regime não resista por muito mais tempo.

Martínez-Fernández lembra ainda que, desde a década de 1990, quando Cuba perdeu o apoio da União Soviética, o país passou por períodos críticos até a ascensão de Hugo Chávez na Venezuela em 1999.

“Acredito que serão necessários mais acontecimentos antes de vermos o próximo passo: o colapso do regime”, concluiu o analista.

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