O governo da Argentina declarou como organizações terroristas as seções da Irmandade Muçulmana no Egito, Líbano e Jordânia. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (15) e oficializa a inclusão dos grupos no Cadastro Público Argentino de Pessoas e Entidades Ligadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET). As informações são do The Jerusalem Post.
Segundo o Gabinete da Presidência, a medida foi solicitada pelo presidente Javier Milei e tomada em conjunto com os ministérios das Relações Exteriores, da Segurança Nacional, da Justiça e com a Secretaria de Inteligência do Estado (SIDE). O anúncio foi divulgado por meio da rede social X.

Fundada no Egito em 1928, a Irmandade Muçulmana é uma organização islâmica sunita transnacional, frequentemente associada por governos ocidentais a outros grupos armados do Oriente Médio, como Hamas e Hezbollah. A classificação argentina acompanha decisões semelhantes adotadas por países como Estados Unidos, Israel, Emirados Árabes Unidos, Paraguai e Egito.
Em nota oficial, o governo afirmou que a decisão fortalece os mecanismos de prevenção, detecção e punição do terrorismo e de seu financiamento, além de impedir que integrantes do grupo atuem livremente em território argentino ou por meio de estruturas financeiras ligadas ao país.
A medida também sinaliza um realinhamento da política externa argentina aos Estados Unidos e a países considerados aliados estratégicos do Ocidente, em um momento de crescente instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Na terça-feira, o governo norte-americano incluiu oficialmente as mesmas seções da Irmandade Muçulmana em sua lista de organizações terroristas.
Alerta a argentinos no Oriente Médio
Diante do agravamento da crise regional, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina emitiu um alerta a cidadãos argentinos que vivem ou estão em viagem pelo Oriente Médio. Em publicação nas redes sociais, a chancelaria pediu que os residentes “permaneçam em alerta” e acompanhem atentamente os desdobramentos da situação.
O comunicado ocorre em meio à escalada dos protestos no Irã, que já deixaram mais de 2.500 mortos, segundo a Human Rights Activists News Agency (HRANA). Paralelamente, autoridades do Catar confirmaram que militares dos Estados Unidos receberam ordens para deixar a base aérea de Al Udeid, em meio ao aumento das tensões na região.
O governo argentino informou que mantém contato permanente com suas embaixadas no Oriente Médio e reforçou que apenas comunicados oficiais de governos e autoridades locais devem ser considerados fontes confiáveis. A chancelaria também recomendou que cidadãos mantenham seus dados atualizados nos consulados e consultem os canais oficiais para contatos de emergência.